SEÇÃO BRASIL: Lucy And The Popsonics
13/10/2009
por
RockPotiguar
SEÇÃO BRASIL – Lucy and the Popsonics
Essa Seção Brasil era pra ter saído no começo do ano, porém, deu um bug no Yahoo e perdi toda a entrevista. Curiosamente ontem ele voltou do nada!!! Eis a resenha do disco por Sandra Martins e entrevista com Fernanda, por Rodrigo Cruz.
Resenha por Sandra Martins
Entrevista por Rodrigo Cruz
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Resenha – “Fábula (ou a farsa?) de Dois Eletropandas”

Energia nuclear, amores grudentos, a moda do brit-pop, corações desiludidos e até uma música em francês. Esses e mais alguns são os ingredientes que fazem parte do eletrorock do CD “Fábula (ou a farsa?) de dois eletropandas” da Lucy and the Popsonics.
Vamos começar pela capa (sim, pela capa e encartes, afinal eles também fazem parte do pacote!) que é uma foto dos eletropandas confortavelmente sentados num sofá. Abrindo a caixinha, vemos um trabalho bem elaborado de arte que enche o disquinho, a parte de dentro e ainda o encarte, que traz fotos bacanas dos pandas elétricos numa perspectiva bem diferente das fotos usuais de CD.
Falando do conteúdo principal (as músicas), o CD abre logo com “Garota Rock Inglês”, que fala sobre essa idolatria pelas bandas do brit pop/rock. A letra cita Coldplay, o famoso chá das três e ainda Lord Byron (se você faltou às aulas de literatura da escola, nem vai lembrar quem o cara é) para ilustrar o amor de um garoto punk por uma menina indie brit pop. Muitas guitarras dão o ar da graça da canção, que mistura bem os elementos eletrônicos e roqueiros. Saindo da Inglaterra, chegamos a “Estetoscópio”, que tem uma letra bem descompromissada e com o objetivo musical de fazer a pessoa chacoalhar o esqueleto. Seguindo o objeto médico, vem a canção do coração partido “Coração empacotado”. Com uma letra bem engraçada e um final diferente, a música tem as costumeiras guitarras (que dão o ritmo) e os elementos eletrônicos a essa candidata a hit. Depois do coração chega uma das canções mais curiosas e bacanas do CD, “Meu gatinho Chernobyl”. Tanto o ritmo quanto a letra são bem bacanas e se você pensa que música eletrônica não tem referência ou é só feita de barulho, está redondamente enganado. A música faz uma alusão ao acidente ocorrido na usina atômica de Chernobyl na década de 80 de uma forma inusitada, com um gatinho de personagem principal. Uma das boas surpresas do CD.
Outra canção inusitada é a francesa (isso sim, francesa!) “Chanson Française”, que foi feita pela vocalista Fernanda e é basicamente uma declaração de amor ao som de muitas guitarras. A moda aparece em “Fashion Bloody Fashion”, que cita a famosa estilista Coco Chanel. Mudando de praia, chega “Eu quero ser seu tamagochi”, que fala sobre os amores grudentos e de personalidades perdidas (“Minha felicidade é por você ser controlado”) que termina com a garota se rebelando com a situação chiclete e terminando o enlace amoroso. Fechando o CD temos “Chick Chick Boom”. A música fala dos estereótipos musicais brasileiros que são exportados (Carmem Miranda, João Gilberto e afins) e que eles deveriam misturar seu som com os alemães do Kratwerk, os pais da música eletrônica. Outra boa pedida de remelexo esqueletal.
Apesar de fazer parte de uma nova tendência musical, que é misturar rock com música eletrônica, o Lucy and the Popsonics não cai no lugar comum das bandas desse ramo. Eles conseguiram dar identidade ao primeiro trabalho, se estabelecendo como uma das boas promessas do eletro/rock brasileiro. E o segundo cd já está a caminho.
Legenda: 1 palheta: fraco | 2 palhetas: mais ou menos | 3 palhetas: bom | 4 palhetas: ótimo | 5 palhetas: excelente
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Entrevista – Fernanda, baixista e vocalista

Fernanda, foto do Orkut pessoal
Rodrigo Cruz – Como foi a idéia de montar a “banda”?
Fernanda - A gente tinha algumas musicas nossas já. “Coração Empacotado”, “Garota Rock Inglês” e “Estetoscópio” foram feitas em 2004 na sala de computador da casa do Pil. Daí um dia o Pil enviou nosso material para um festival local e fomos selecionados pelos votos do juri. Só pra você ver como éramos outsiders, hehehe. Depois disso fomos convidados a ir para o Bananada (GO), onde tudo realmente começou.
De onde vem a sonoridade de vocês?
Basicamente B52´s, Stereo Total, The Kills, Vive La Fete, Devo, Blondie, New Order, The Knife. Mas como vivemos em Brasília e sempre foi uma cidade onde acontecia pouca coisa sempre íamos a shows e eventos de locais que nos influenciaram muito indiretamente como Prot(o), Bois de Gerião, Divine, Superquadra, Nego Moçambique, Satanique Samba Trio, Nancy, Galinha Preta etc. Além disso, sempre vivi em um meio muito diverso e conheci pessoas de todos os gostos.
Mas o que muda no meu caso é como eu adquiria música. Tive um amigo que gostava de rock em geral. Ele gostava do que era bom. Escutava de tudo e me passava o que tinha. Então, eu meio que pirei nessa onda e como eu era adolescente havia época que eu queria ter todos os discos do Metallica e amava o Beck, outra eu já tinha pulado pro Skinny Puppy e já começava a colecionar coisas do REM, depois disso eu já tava no Stereo Total e começando a curtir música eletrônica, hehe. As pessoas achavam que eu era maluca. Hoje isso reflete no som que faço que não deixa de ser doente, hehe. A doença ainda aumentou quando nas músicas novas colocamos tecladinhos jamaicanos.
Hoje em dia, eu baixo uma média de 10 músicas do mundo por dia aqui neste computador. Escuto muito e ao mesmo tempo escuto pouco. Dificilmente eu paro para escutar um disco só. E quando me perguntam do que estou gostando no momento eu não sei dizer direito, haha. Eu sinceramente não sei se cito uma lista ou não falo nada.
Tem alguma banda nova de Brasília que você acha que pode despontar no nosso cenário? Qual?
No Brasil acho muito difícil. Temos muita coisa de qualidade, mas somos de uma cidade estranha. Poucos tem a sorte de caírem no gosto e serem descobertos por pessoas e selos do meio. Brasília é estranha porque as pessoas produzem musica, literatura pra poucos. Só conhecemos o independente brasileiro porque saímos logo de cara daqui e encontramos muita gente que gostava do que fazíamos. Se tivéssemos seguido a tendência local nem teríamos saído daqui e muito menos conheceria bandas independentes de outros locais, já que não vejo TV e não costumo ler crítica de música. Isso é tão louco na cidade que em 2007 quando começamos a tocar nos melhores eventos, ter páginas entre os jornais e revistas mais importantes e aparecer de vez em quando na TV as pessoas daqui me perguntavam se o Lucy tinha acabado, hehe!
O outro fator é que escutamos, lemos e vemos muita coisa de fora do Brasil e muitas coisas não tem de fato o gosto nacional. Tem gente aqui que tem 3 discos lançados fora, mas nunca tocou no Brasil. Aqui tem muita coisa interessante porque é tudo muito misturado com um pouco de classe, mas pra conhecer você tem que ser um pesquisador mesmo. Não é fácil achar coisas aqui. E a mistura é tão bizarra, no bom sentido, que já teve gente do metal daqui que veio comprar o disco comigo e elogiou o que faço, enquanto já até levei latada aí em Natal de metaleiro, hehe. Só pra deixar claro que não fico chateada com isso não. Acho até engraçado esse tipo de reação por exteriorizar. Eu sei que, de alguma forma, ele se ofendeu comigo, haha.
Bom, se os projetos mais novos despertarem pro Brasil acho que quem tem grandes chances de sair logo daqui são os Djs Random e as bandas Deuses da Kaaba, Bravo Avante!, Toda Nudez Será Castigada, entre alguns outros projetos mirabolantes que sempre rolam por aqui.
Como vocês começaram a despertar para os festivais independentes brasileiros? Como começaram a surgir os convites?
Fomos pro Bananada que é um evento que rola em Goiânia e é feito pelo nosso atual selo, Monstro Discos. Eles nos lançaram no Brasil.
Na sua opinião, até que ponto um selo ou gravadora ajuda na carreira de um grupo?
A gravadora vai somente te lançar. 80% do que a banda é, é trabalho próprio. Os 20% é o empurrão que o selo dá. Eu nunca estive em gravadora nenhuma, mas por um lado com certeza ela pode fazer mais porque também tem mais dinheiro. Por outro lado, hoje em dia não sei se vale tão a pena assim estar em uma coisa dessas. As bandas que eles chegam a lançar são muito ruins e não dá em nada. Eles ainda tem a $$$, mas perderam totalmente a credibilidade. Algumas outras bandas assinam e ficam no freezer. Alguém voltou a ouvir falar em Manacá? Não, mas todo mundo conhece Mallu Magalhães.
Conte como foi a ideia de tocar fora do Brasil pela primeira vez. Algum convite ou vocês correram atrás mesmo?
Quando fomos a Portugal foi convite. Mesmo assim a gente pagou pra ir com o cachê do Terra. Quando estávamos lá fomos convidados pra ir pro SXSW. Um mês depois para tocar em um festival na França, o IDEAL. Os custos da ida dessa viagem foram pagos e ainda sobrou alguma coisinha, o que pagou nossas passagens para o Pop Montréal, para o qual fomos convidados quando estávamos no SXSW. Às vezes ter uma boa vida custa caro…
Vocês gravaram algumas músicas em inglês para lançar na Europa. Percebo que, aos poucos, os shows de vocês no Brasil e estão sumindo. A tendência é a carreira internacional?
Só foi uma: “Eu Quero Ser Seu Tamagochi”, que acabou dando em “I Wanna Be Your Tamagotchi”. As duas versões serão lançadas juntas. Não é que a tendência seja a carreira internacional, é que já fizemos tudo que uma banda independente com o nosso tipo de som pode fazer no Brasil. Fizemos mais até. Nunca acreditamos que rock com batidas eletrônicas fosse dar em alguma coisa porque roqueiro brasileiro é muito conservador e retrógrado. E no Brasil agora só quando lançarmos o segundo disco. A carreira internacional surgiu naturalmente ao entrarmos no MySpace. Fomos sempre descobertos pelo MySpace: Festival IDEAL, primeira turnê em Portugal, o selo que irá nos lançar, a produtora que nos pegou. Queremos entrar sim no mercado internacional. Adoramos viajar e conhecer muitos países, pessoas, bandas. Mas preciso deixar claro, no caso, que entrar no mercado internacional pra gente não é necessariamente fazer o que o CSS e o BDR fazem.
Vocês já tem previsão para voltar a Natal?
Como banda não tenho previsão não. Só se a gente armar algo ai quando eu for visitar minha vozinha, hehe.
Não sabia que você tinha família aqui…. São suas origens daqui ou só sua avó que se mudou pra cá mesmo?
Minha família inteeeeeeeeeeeeeeeeeeeira é daí. Meu pai nasceu em João Pessoa, mas morou em Lagoa Salgada. Meu avô foi prefeito lá. Minha mãe é de Santo Antônio do Salto da Onça.
Na década de 70 meu pai veio pra Brasília para tentar a vida e trouxe minha mãe. Ai eu nasci aqui! Mas minha infância foi parte ai. Eu passava de 2 a 3 meses por ano ai na casa dos parentes e nas praias. Ai quando eu entrei na faculdade não voltei mais para visitar minha família.
Toda a família hoje ou mora em Natal, ou Brasília, na sua grande maioria.
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