Coluna: RIFF – Terra Brasilis [Taurus-Signo de Taurus]
27/07/2010
por
Bruno Bruce
A sub-coluna Terra Brasilis trata de Heavy Metal cantado na língua pátria! Já foi execrado, hoje é clássico, tendo seus precursores entrado num hours concours dos desbravadores movidos pelo mix paixão & ingenuidade, tão característico da década de 1980.
Quem viveu o começo do movimento metálico no Brasil, com o concomitante surgimento das primeiras bandas do gênero, vai lembrar que Heavy Metal em português gerou amor & ódio na mesma medida. Observei rockers(*) respeitáveis torcerem o nariz para a primeira geração metálica nacional, execrando-os por serem amadores, desprovidos de talento. Concordo com a primeira afirmação, embora nenhuma cena musical aflore definida e pronta. Habilidade, inspiração estiveram presente em diversos grupos pioneiros da cena brasileira.
[* Os roqueiros eram nossos parâmetros primordiais de cultura musical e nos fiávamos muitas vezes em seus gostos pessoais. Com o natural amadurecimento da cena headbanger houve um rompimento de gerações.]
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- Jean/TAURUS(Arquivo Pessoal Bruno Bruce)
Prefiro mesclar minhas recordações com a resenha do disco Signo de Taurus do que, aborrecidamente, escrever mais uma crítica de CD.
Eu era um jovem vagabundo & bêbado de 18 anos quando assisti um dos maiores nomes do Metal nacional, em Recife/PE, no teatro Apollo em 1987. Fui como roadie da banda local Sodoma. Ser roadie naqueles tempos era eufemismo para fã-com-acesso-ao-palco que na prática pouco fazia. Viajamos a banda, este escriba, Eri Holt (futuro baixista do Crosskill) e Christian Udo Hanneman com tudo pago pelo jornal Diário de Natal e hospedagem num hotel histórico (Hotel Nacional), incluso aí traslado na Kombi novinha dos Diários Associados de Pernambuco! Por 2 dias vivi um pequenino sonho metálico, claro que – meu carma – com traumas & decepções mas é assunto para outra postagem nesta coluna. Lá nos juntamos ao rocker hero natalense Rodrigo Hammer, PJ Blackmore e o headbanger potiguar número 1, Dedê Thrash.
Ver o teatro Apollo na chegada, ainda pela tarde, foi um choque. Parecia velho, sujo e ficava num bairro semelhante a Ribeira natalense. Não sabia diferir patrimônio cultural de decadência. Encontrei diversos headbangers nordestinos com os quais me correspondia há tempos, lembrando hoje pouco do show em si pois a excitação era tamanha que não sabia se conversava com todos ao meu redor ou assistia a apresentação (o Brasil fervilhava com tape traders e fanzines de Heavy Metal. Cada show de um expoente da cena era a oportunidade para calorosos encontros).
A certeza é uma só: o Taurus despejou no palco sua sonoridade calcada no Metallica (Kill ‘Em All) e no Dark Angel, com algumas linhas de baixo copiadas do Agent Steel, antiga banda de Speed Metal. Pouco importava. Desfiaram quase que na íntegra o LP Signo de Taurus, todo cantado em português, com suas letras de pura inocência anti-belicista. As faixas Mundo em Alerta e Massacre ainda são cantadas de modo reverente 23 anos após por vários grupos brasileiros. Este disco traz uma banda brasileira inserida na, então, moderna onda do Thrash Metal norte-americano. Até relevei quando os vi desdenhar, entre discretas cutucadas e risadinhas mútuas, as canções do open act Sodoma. Presenciava o auge do Taurus!
Tristeza: a foto registrando todos nós – bandas, amigos, alguns fãs nos camarins do teatro – foi perdida!
Curiosidade: uma briga na frente do teatro Apollo culminou com o baleamento & morte de uma pessoa que em nada tinha a ver com o evento. No outro dia um dos jornais de pernambuco estampava: “Morte em Show de Heavy!”. A grande mídia sempre metendo os pés pelas mãos.

Taurus:
Claudio Bezz (guitarra)
Jean (baixo)
Otávio Augusto (vocais)
Sérgio Bezz (bateria)
Signo de Taurus
01 – Signo de Taurus Intro
02 – Mundo em Alerta
03 – Massacre
04 – Império Humano
05 – Batalha Final
06 – Damien
07 – Rebelião dos Mortos
08 – Falsos Comandos
*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem & morrerem como moscas num verão.
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