Coluna: RIFF – Master & Predator [ Uma Aula Por R$20,00 ]

30/01/2010 por Bruno Bruce

Master (USA)

Predator

Nighthunter

Megadeth Cover

DoSol Rock Bar

Natal/RN Brasil

29 de Janeiro de 2010

Estou cansado mas feliz por haver assistido este show! Testemunhei uma aula de sabedoria metálica e a vitória do esforço sobre as vicissitudes. Mas vamos por partes.

Roberto [Predator]

A imediação da rua Chile estava repleta de carros e transeuntes levando a crer que o DoSol iria lotar. Ledo engano. Numa observação mais detalhada descobri haver, próximo dali, uma apresentação baseada em um ritmo que usa o ‘baseado’ como bandeira (É…sei fazer trocadilhos infames também). Nunca irei entender isto em Natal. Já fui em shows de bandas chinfrins, que tocam quase todos os meses por aqui, com casa mais cheia que desta vez. Paga-se 10 ou 12 reais para assistir somente a grupos locais. Nada contra a prata da casa mas headbanger que se preza guarda uma grana e garante presença num show internacional anunciado há 3 meses, sendo, provavelmente, a primeira & última oportunidade de observar tal grupo. Vejo criaturas viajarem para o interior do estado, raspando suas economias para ver bandas fuleiras sabendo que 2 meses depois não terão dinheiro para ir ao show de um mito mundial em Recife, por exemplo!

Nighthunter

Enquanto o Megadeth Cover tocava para uns gatos pingados lá dentro preferi por a conversa em dia com meus amigos, dentre os quais, Roberto (baterista do Predator) a me relatar detalhes do bizarro acidente que vitimou Leon Villalba e Timothy Kennelly, integrantes do After Death, numa fatalidade digna dos episódios de Twilight Zone (Master, Predator e After Death cobririam juntas diversas datas em território brasileiro). O azar destes ingleses culminou em suas mortes, sendo notícia em telejornais nacionais. Mesmo avisados dos cuidados que deveriam ter para tudo correr bem eles esqueciam frequentemente as bagagens e tinham um comportamento bastante relaxado quanto a sua própria segurança.

Predator [Luciano & Jenner]

Idolatro Thrash Metal portanto não há como não gostar do Nighthunter. Ainda não vi alguma apresentação ruim deles. As vezes o som não ajuda (não foi o caso) mas é sempre bom escutar seu Thrash rascante.

Preciso dizer isto da forma mais clara, respeitosa e sincera possível: não gosto do som do Predator. Conheci seus integrantes no Heavyllon de 2007 e nossa amizade só cresceu desde então. São três seres humanos afáveis & atenciosos. Seu Death Metal consegue ser exatamente o tipo de sonoridade que não me agrada. Acho burocrático e peca também pela escassez de partes melódicas. Pronto, disse! Tirei isso do meu peito. Show correto e energético.

Predator

Master

Paul Speckmann [Master]. Um gentleman!

Já mostrei minha indiferença por bandas decadentes em comebacks dispensáveis. Há uma linha tênue separando o modo correto e o modo errado de voltar aos palcos. O Master leva o meu carimbo ‘modo correto’. A fadiga dos caras era visível nos semblantes. Tour corrida, underground na essência da palavra. Ver Paul Speckmann, massacrado pela rotina das viagens, a autografar vinis, possar para fotos e interagir em conversas foi observar um gentleman do Metal. Ele ganhou meu respeito ali, antes do show, onde eu o mirava pelo canto dos olhos e  julgava como tratava os fãs. Admito: nunca tive um vinil do Master e nem lembrava mais das músicas. Vi um show de Death Metal de qualidade mundial!

Paul Speckmann [ Respect, man!]


Notícia sobre as mortes

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – 1 Ano & Algumas Lembranças

18/01/2010 por Bruno Bruce

Um ano da infame Coluna RIFF! Como comemoração mostro agora algumas fotos(*) de 1986. Nesta época as 2 dezenas de headbangers de Natal se reuniam com freqüência, escutando uma música alienígena, compreendida por poucos. Cada pretoriano desta horda maldita tinha um nickname, um novo batismo pagão e por ele era identificado nesta nova sociedade. Os grão-mestres, na minha concepção, eram Rodrigo Hammer, Paulo Jorge Blackmore & Carlos Little Bastard. Originalmente roqueiros que enveredaram na mais pujante manifestação de força musical: Heavy Metal. Foram os tutores que me apresentaram Metallica, Exodus, Hirax, Slayer, Overkill bandas punk e literatura obscura. Minha vida neste planeta nunca mais foi a mesma!

(DD Thrash, PJ Blackmore, Rodrigo Hammer)

Na esquina das avenidas Prudente de Morais e Apodi havia uma banca de jornais e dentro dela o marco zero do headbanger natalense: Dedê Thrash. Arredio, tímido, cabeludo, vendendo revistas e chicletes. Vestia sempre jaqueta com patches, calças jeans & chinelas de dedo. Cruzamento bizarro de nordestino e banger europeu. A banca de Dedê serviu de ponto de encontro das figuras mais esdrúxulas. Lá conheci Sopa de Osso (primeiro punk que vi na vida), Luziano Rock Stanley e toda uma gama de freaks. Esta banca tinha um espaço interno de 1 X 2 metros, extremamente apertada, onde Dedê só permitia a entrada dos inseridos nesta fraternidade. Um belo dia disse: “Bruninho, entra aí e venha escutar essa fita”. Sentado num velho banquinho de madeira, no calor, escutando fitas-cassetes, tive a mais alegre certeza: fui aceito! Eu era novato mas no meu coração já batia a sensação de haver encontrado minha verdadeira turma. Poucas coisas na minha vida foram tão marcantes, importantes & marejam meus olhos até hoje! Uma certa tristeza & melancolia também passou a fazer parte de mim desde aí. Sabia que, provavelmente, nunca mais sentiria algo tão forte na cena metálica.

(Carlos Little Bastard, Guga, Bruno Bruce, Dodias)

Preciso agradecer publicamente a Rodrigo Cruz, editor do Portal RockPotiguar. Graças a este passei a escrever também no Recife Metal Law (website pernambucano), no Jornal de Hoje (impresso potiguar) e no Whiplash.net (maior portal de Rock/Heavy Metal do Brasil. Com mais de 30.000 visitantes/dia), mas foi somente no RockPotiguar onde jamais sofri censura. Acredito no esforço, no trabalho diário, na vitória do homem comum. Estou inserido num ambiente musical apinhado de idiotas, drogados ilícitos, preguiçosos, lerdos, de pessoas sem foco, mentalmente confusas. Delas recebi comentários jocosos, com um português raso. Neste mundo decadente onde todo mundo é “bacana” e faz “arte” sou a voz dissonante, vilã, militarista, belicosa. Tenho orgulho de não seguir a manada.

* Fotos: Arquivo pessoal Carlos Little Bastard


Matérias Publicadas no website Whiplash.Net

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Heavyllon 2009

23/12/2009 por Bruno Bruce

H e a v y l l o n   2009

Por Bruno Bruce*

Espaço Cultural Nestor Lima, Parnamirim/RN

19 de Dezembro de 2009

Monolight

Born, Suffer, Die (CE)

Inner Demons Rise (PE)

Metallica Cover

Fullsion

A saber: Festa idealizada por mim e organizada por Mitchell Pedregal, que remonta o início da década de 1980, sem fins lucrativos & destinada a servir de confraternização dos headbangers natalenses.

Metallers

O Heavyllon/2009 foi totalmente feito por Mitchell Pedregal. Meu nome nem merecia aparecer no belo cartaz. Havia tomado a decisão de não fazê-lo mais na madrugada de 2008, em frente a Music Club, quando retirava um banner com nosso logotipo, exausto depois de outro evento dedicado aos headbangers. Havíamos alugado um dos mais caros espaços para show de Natal, com excepcional estrutura (sonorização da Helisom, ar-condicionado central, seguranças uniformizados/educados), sem patrocínio em dinheiro, contando somente com a providencial ajuda de amigos. Mas já estava ciente destes obstáculos. Cobrimos o custo do aluguel de R$ 2.000,00 com o apurado da bilheteria. Nem levamos em conta os gastos com celular, combustível, painel, cartazes, alimentação dos grupos etc. A Mitchell coube ainda um prejuízo adicional de R$1.000,00 referente a um cachê antecipado, pago a banda Stress, que acabou não tocando na nossa festa. Pilantras!

Estava cansado de enfrentar este calvário que é organizar um evento na época mais complicada do ano, deixando isto bem claro ao meu amigo em novembro de 2009, as portas de uma nova edição do Heavyllon. Senti sua decepção comigo estampada em seu olhar. Nunca havia visto aquele seu semblante. Engoli em seco (por havê-lo magoado) e partimos para mais um ano com a nossa festa.

Monolight

O que deveria ser uma espécie de churrascão somente entre amigos (minha vontade) virou um show de 5 bandas até o amanhecer (desejo de Mitchell). Depois de trocas de e-mails e telefonemas ele conseguiu trazer os pernambucanos do Inner Demons Rise e os cearenses do Born, Suffer, Die que juntaram forças com as bandas locais. Um verdadeiro achado foi o Centro Nestor Lima, em Parnamirim (cidade coladinha a Natal). Lugar limpo, novinho, aberto, com piscina e barzinho bem montado. Uma das coisas que mais odeio é a errônea concepção de que festividades ligadas a Heavy Metal devem ser sujas e em lugares mal-acabados. Sempre combati esta distorção. Heavy Metal é consumo para a classe média em diante, é para aqueles que têm um mínimo de poder aquisitivo. Observe como são custosos os ingressos para apresentações de estandartes do gênero (nem cito CDs e DVDs porque hoje são baixados vorazmente de graça pela internet). Pusemos nosso maior diferencial como evento – o telão – a jogar nas retinas imagens dignas de um museu do movimento metálico potiguar, com clipes novos & antigos, velhíssimas matérias de jornais. Deleite certeiro para todos, sempre! O Monolight abriu com competência a noitada embasado em covers e em algumas músicas autorais que mantiveram o clima old school aceso. Vieram na seqüência Born, Suffer, Die, Inner Demons Rise, Metallica Cover e Fullsion. Resenhar performances ao vivo, faixa a faixa, não é minha praia nem tenho vontade porque, simplesmente, acho chato pra caralho (fica para jovens escribas). Amigos consideraram o segundo melhor Heavyllon dos seis que fizemos, perdendo somente para o evento mágico realizado no Bar do Antônio Rock ‘N Roll. Mas é isto. Ainda não há fórmulas escritas para o encantamento perfeito.

Born,Suffer,Die

Mitchell cumpriu, com a devoção que lhe é peculiar, a função de cicerone dos grupos de fora, algo não-costumeiro aos “produtores” de shows de Metal (quase sempre mesquinhos, de alma soez). Recebeu-os de maneira carinhosa, levando-os para almoçar e cuidando de dar-lhes a atenção merecida, após enfrentarem horas de estrada para tocar Heavy Metal, exclusivamente por prazer.

Inner Demons

Os oitenta pagantes (dos, aproximadamente, 120 viventes que lá estavam) cobriram parcialmente os custos. Nunca mensuramos o sucesso em papel-moeda. Vimos rostos felizes, vimos antigos headbangers (é, eles existem), vimos bandas dando o seu sangue para o melhor público do mundo: os headbangers do Heavyllon. Pagamos dos nossos bolsos ao longo destes 6 eventos para que isto aconteça de modo decente. Uma pessoa em particular encheu meu coração: Paulo André, guitarrista do Inner Demons Rise. Antigo banger de Recife a exalar uma alegria próxima a infantil, tocando com devotado amor sua linda BC Rich, parecendo estar frente a milhares de pessoas! Este é o espírito, meu amigo!

Metallica Cover

Bruno Bruce’s Love & Respect:

Mitchell Pedregal (Me perdoe, irmão!), Temístocles Crossover Júnior, Edson Geléia, Eduardo Heavy Mirim, Igor Sabbath, a todas as bandas que tocaram pela Irmandade.

“United We Stand – Eternal Ban

Together We Are Strong – Eternal Ban”

HEAVYLLON – MySpace

HEAVYLLON – Fotolog

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Ruído das Minas

30/11/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Ruído das Minas

Por Bruno Bruce*


Uma confusão de sentimentos veio à tona quando assisti o documentário Ruído das Minas.

 

Gostei porque:

lembrei que na época podia beber muito sem ter hangovers de dias

a vida era mais simples

ninguém ligava para Heavy Metal

tínhamos que explicar o que era Heavy Metal

ninguém usava o infame termo ‘true’ (todos eram true)

havia encontrado minha verdadeira turma

foi algo novo, brutal, misantropo, restrito a um círculo muito fechado

éramos headbangers & causávamos medo

há o Sepultura

Detestei porque:

recordei os porres e passo mal somente por isso

odeio adolescentes

todo mundo, hoje em dia, sabe o que é Heavy Metal (ou pensa que)

foi massificado

(na mídia laica) somos “metaleiros” até hoje

ainda há um decadente/vergonhoso Sepultura por aí

 

Ruído das Minas

Direção: Filipe Sartoreto

 

Página MYSPACE do Documentário

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – O Boneco Falcon

21/11/2009 por Bruno Bruce

O Boneco Falcon

Por Bruno Bruce*

Disco: All Shall Fall

Lançamento: 2009

Formato: Vinil numerado de 180g (Nuclear Blast)

Immortal:

Abbath (guitarra/vocal)

Horgh (bateria)

Apollyon (baixo)

Não pude conter a ansiedade ao receber pelos Correios a caixa de papelão com o novo ‘bolachão’ do Immortal. Depois de resenhar o zênite do grupo (veja link O Martelo de Thor no fim desta) estava tremendamente curioso com a trajetória que seguiriam. Haviam encontrado o balanço delicado entre Thrash & Black Metal, atingindo uma gama imensa de metallers e ainda assim mantinham uma aura de cult band, quase inacessíveis! Mesmo com uma formação que varia (novo baixista, Apollyon) a matriz do conceito não se altera. Corpse paint, power trio (mais que 3 é demais para uma hábil banda), somente uma foto no encarte e Demonaz nos bastidores (responsável pelo direcionamento, escrevendo letras sobre batalhas brutais).

All Shall Fall veio para firmar em definitivo a cadência nas músicas da banda, confirmando o que eu já havia escrito sobre eles quando do vinil anterior, ou seja, a respeito do posicionamento sonoro destes headbangers! A busca pela velocidade muitas vezes serve apenas para mascarar limitações como instrumentistas. Pior quando um exímio músico floreia velozmente para exibir-se. AAARRGH! Nada disto acontece aqui. Você nunca observará um soldado de elite vociferar sua letalidade antes de um combate. Estes segredos serão expostos no momentum apropriado. É assim que o Immortal aporta na música: furiosamente certeiro & tranqüilo do fio afiado de sua navalha metálica. Sem alvoroço!

O disco abre dramático com All Shall Fall, em grandioso estilo. Os dedilhados e o ritmo marcial da bateria já se fazem presentes desde agora. Na seqüência a minha predileta, The Rise Of Darkness, emotiva como gosto, com guitarras rascantes. Vem Hordes To War, a mais rápida do vinil. Se você não conhece o Bathory, não se desespere. Caso goste da faixa Norden On Fire já será fã do Bathory por tabela. Cópia da sonoridade presente no Blood Fire Death, um dos discos mais essenciais do Metal neste planeta. Fui no encarte observar se não tratava-se um cover, tamanha semelhança. Não era! Mais quatro (boas) músicas…e só. A sensação que tive foi a de quando, infante, ganhei meu boneco Falcon! Na TV ele fazia tudo, movimentando-se como um ninja bebedor de Red Bull. No meu quarto, jazia parado como um gato morto! Fui enganado. Para um brinquedo você até abre a imaginação mas para uma banda que prometia um sucessor excelso você cerra os dentes. Fui enganado, again!!!

Bandas da estirpe do Immortal representam um antigo código, fora de moda, não-usual que reza o afastamento do mundo comercial, principalmente no quesito arte. Eles são cientes disto, são sabedores que Heavy Metal é sacerdócio e o Black Metal a perfeição da fé pagã, obscura, exclusiva para poucos, de indivíduos que (ainda em vida) morreram para este mundo. E lá se foram 10% de meu respeito pelo trio quando vi perfis deste estandarte no Facebook, Twitter e afins. Mesmo que enxutos, somente para divulgá-los, torci o nariz. Seriam realmente necessários? Lançaram CD, CD digipack, vinil simples, vinil numerado e box. Como fã…babei, comprando o que pude. Como crítico tive nojo! Mas ser fã é estar munido de fé, é ser um apaixonado e paixão jamais anda de mãos dadas com a razão.

Como crítico: All Shall Fall está muito, mas muito aquém do transcendentalmente inspirado Sons Of Northern Darkness. O auge da banda já houve e não irão superar-se. Pode parecer uma crítica dura mas compreenda que a banda define, na parte que lhe cabe, os rumos de um sub-gênero substancioso do Metal. Parcela desta possibilidade de apontar caminhos advém da capacidade de surpreender. Este disco é bom mas não surpreende!

Como fã…comprarei todas as quinquilharias que lançarem no mercado e jogo uma moeda no ar, apostando que tão cedo os verei por estas (nordestinas) paragens, pois são indiscutivelmente grandes demais nos maiores mercados para o Metal no mundo (Europa & Japão) para darem as caras por aqui!

Lado A:

01 – All Shall Fall

02 – The Rise Of Darkness

03 – Hordes To War

Lado B:

01 – Norden On Fire

02 – Arctic Swarm

03 – Mount North

04 – Unearthly Kingdom

O Martelo de Thor – Resenha do disco Sons Of Northern Darkness

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Skeletonwitch

3/10/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Skeletonwitch

Por Bruno Bruce*

Avisado por um website especializado, parti numa busca particular pelo new blood metálico. Comprei alguns CDs de bandas promissoras no Thrash Metal, sub-gênero mais empolgante do estilo. Se o Heavy Metal, no seu estado puro, emociona-me de maneira etérea o Thrash é a trilha sonora para a metamorfose de um simples headbanger num werewolf com sangue nos olhos. E aí não há bala de prata que derrube a massiva força de um rebelde em exercício.

Os fundamentos do Thrash Metal, como tudo que circunda a verdadeira cena, são tão familiares e recorrentes para os metallers quanto vibratos desconcertantes. Mas estão tão a frente como sonoridade que, quando observamos a fauna & flora das bandas atuais (afeminadas, mimadas, super-produzidas), permanecem abrasivos, fatais como plutônio. Queimam sem piedade!

Irei resenhá-los aos poucos, sem pressa (jamais fazendo uma crítica faixa a faixa, que considero chata para quem lê e sinônimo de cultura rasa para o escriba). Até o instante da chegada dos mesmos, permaneciam como discos importados, caros e, devido a ladeira abaixo do mundo digital, também disponíveis on line gratuitamente para os morosos “metaleiros” de fim de semana.

Se você, leitor desavisado, busca novas sonoridades, esqueça Heavy Metal, pare de ler a Coluna RIFF. Você será a mosquinha morta depois do próximo ‘veraneio’ musical!

Prato do dia: Skeletonwitch.

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Disco: Beyond The Permafrost

Lançamento: 2007

Formato: CD (importado)

Skeletonwitch:

Nate Garnette (guitarra)

Scott Hedrick (guitarra)

Chance Garnette (vocal)

Eric Harris (baixo)

Derrick Nau (bateria)

À medida que você envelhece sua mente passa a armazenar odores, sentimentos & situações que servem de base para a sua vida. Isso eu chamo de experiência! Aquela habilidade de discernir mais aguçada daqueles que escaparam da morte por mais tempo do que outros. No quesito música aprendi (a ouvir) muita coisa, enxergando elementos singulares.

A banda Skeletonwitch é bastante singular. Sua música é Thrash Metal. Seu visual é Thrash Metal mas há diferenciais. A começar por faixas curtas com 2, 3 ou 4 minutos. O monumento Beyond The Permafrost (que título lindo!) é o segundo full lenght do grupo. Banda norte-americana (Athens/Ohio) fundada em 2003 da qual só consegui traçar um paralelo musical com o contemporâneo Amon Amarth, quando das bases de guitarra ‘tristes’, monotemáticas. Outra característica: faixas desafiadoramente intrincadas. Não há espaço para a preguiça musical. Um vocal rascante, econômico, marca as músicas. Acertaram quando pontuaram a ‘metranca’ somente como antítese da cadência inerente ao Thrash nas 12 composições (o inverso do Grind Metal). Com um par de guitarras (Garnette/Hedrick) que utiliza a técnica  como ponte para entregar fúria em riffs que já nasceram clássicos!

Beyond The Permafrost data de 2007, continua importado – a banda já tem um novo monstro musical denominado Breathing The Fire prestes a ser lançado – e será difícil de ser superado por um novo trabalho.

Um disco inspirado, empolgante, rápido. Skeletonwitch é a jóia da coroa do novo Thrash Metal!

Faixas:

01 – Upon Wings Of Black

02 – Beyond The Permafrost

03 – Baptized In Flames

04 – Sacrifice For The Slaughtergod

05 – Vengeance Will Be Mine

06 – Limb From Limb

07 – Cast Into The Open Sea

08 – Fire From The Sky

09 – Soul Thrashing Black Sorcery

10 – Remains Of The Defeated

11 – Feast Upon Flesh

12 – Within My Blood

www.myspace.com/skeletonwitch

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Ramming Speed

20/09/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Ramming Speed

Por Bruno Bruce*

Avisado por um website especializado, parti numa busca particular pelo new blood metálico. Comprei alguns CDs de bandas promissoras no Thrash Metal, sub-gênero mais empolgante do estilo. Se o Heavy Metal, no seu estado puro, emociona-me de maneira etérea o Thrash é a trilha sonora para a metamorfose de um simples headbanger num werewolf com sangue nos olhos. E aí não há bala de prata que derrube a massiva força de um rebelde em exercício.

Os fundamentos do Thrash Metal, como tudo que circunda a verdadeira cena, são tão familiares e recorrentes para os metallers quanto vibratos desconcertantes. Mas estão tão a frente como sonoridade que, quando observamos a fauna & flora das bandas atuais (afeminadas, mimadas, super-produzidas), permanecem abrasivos, fatais como plutônio. Queimam sem piedade!

Irei resenhá-los aos poucos, sem pressa (jamais fazendo uma crítica faixa a faixa, que considero chata para quem lê e sinônimo de cultura rasa para o escriba). Até o instante da chegada dos mesmos, permaneciam como discos importados, caros e, devido a ladeira abaixo do mundo digital, também disponíveis on line gratuitamente para os morosos “metaleiros” de fim de semana.

Se você, leitor desavisado, busca novas sonoridades, esqueça Heavy Metal, pare de ler a Coluna RIFF. Você será a mosquinha morta depois do próximo ‘veraneio’ musical!

Prato do dia: Ramming Speed.

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Disco: Brainwreck

Lançamento: 2008

Formato: CD digipack (importado)

Ramming Speed

Ricky Zampa (guitarra)

Kallen Bliss (guitarra)

Pete Gallagher (vocais)

Derek Cloonam (baixo)

Jonah Livingston (bateria)

Junte seus amigos, tire os móveis da sala e realize uma roda de pogo ao som de Brainwreck. Aqui está um pouquinho de English Dogs, DRI, Anthrax (fase mais crossover) e todos os momentos mais inspirados destes. Vocal perfeito, bem direto, gritado com competência, sem afetações ou pedaleiras. Muito, muito, muito old school way crossover!

Comprei o CD diretamente da banda e voltei no tempo para meados de 1985 quando li um ‘thank you’ assinado pelo baterista (no cartaz da gravadora). Alguma banda gringa ainda faz isso? Fiquei surpreso.

O Ramming Speed é peça obrigatória para qualquer brasileiro que pensa fazer punk rock/grindcore Metal ou acha que já o faz com alguma competência! Vai destruir suas esperanças, seu otário! Você irá sentir-se um miserável músico. Treze faixas cruciais, tão descompromissadas que são pré-requisitos ao fã de música pesada. Escute mais atentamente All In All (que variações, que vocalzão!) & The Threat (maligna, rápida).

Energético, furioso, bom de ouvir, ótimo senso de humor. Revigorante como uma golada na sua cerveja predileta num dia de calor!

Minha maior surpresa recente.

Faixas:

01 – Speed Trials

02 – The Threat

03 – Lazer Assault

04 – All In All

05 – Shane Embury Is The Brad Pitt Of Grindcore

06 – Bogus Facade

07 – Sound The Alarm

08 – Immigrant Song

09 – Political Party

10 – Man Vs. Machine

11 – Arrested Development

12 – A Modern Myth

13 – Heavy Metal Thunder

http://www.myspace.com/officialrammingspeed

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Animal Fest 2009

8/09/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Animal Fest 2009

Por Bruno Bruce*

ANIMAL FEST

FUNERATUS (SP)
DEMONIZED LEGION(PB)
ATAQUE VIOLENTO (PB)
RISING WAR
NIGHTHUNTER
THUNDER STEEL
FULLSION

Em 06 de setembro de 2009

North Casa Show – Zona Norte Natal/RN

Comunidade dedicada ao festival Animal Fest, em comemoração do aniversário de Cláudio ‘Animal’, baterista mais sexy da zona norte!”

Se você entrar na comunidade Orkut do Animal Fest lerá este inusitado texto acima mas é a absoluta verdade. O que era um aniversário com vários bangers bêbados virou uma festa de bêbados com muitos headbangers! E como cresceu. Estive em 2 edições anteriores (ambas no teatro Rino Dantas), constatando o poder metálico da Zona Norte de Natal. Dois apaixonados pelo Metal – Sérgio Deluge & Cláudio Animal – são as cabeças pensantes responsáveis pela festa, sendo que este último casou, mudou de cidade, deixando a responsabilidade nas mãos de Sérgio.

Incrível! Em todos os 3 eventos que fui sempre havia uma criatura na frente da entrada, no chão, desmaiada. Nunca esqueci quando tive que abrir passagem para dois homens que carregavam uma desacordada garota, vítima de uns drinques a mais, digamos assim! Desta feita um corpo jazia na calçada do Animal Fest, vomitado, aguardando minha chegada e meu clique.

Perdi a primeira banda (Fullsion) porque, convenhamos, assistir show às 13h00, no sol…não obrigado. Mas a North Casa Show foi um verdadeiro avanço como espaço. Cabem 2.000 pessoas contra as 400 (máximo) da fornalha denominada teatro Rino Dantas, criando a ilusão de pouca platéia. Como de costume, os produtores de shows subestimaram a capacidade de sorver álcool dos headbangers, não providenciando cerveja suficiente no bar ou fazendo chegar quente nas nossas mãos; o que dá na mesma.

Sou um entusiasta do Thrash Metal – melhor vertente do gênero – e sempre o Nighthunter cumpre sua função de entregar um Thrash bem feito. Infelizmente tiveram seu show prejudicado pela sonorização falhando e mal equalizada. Problema solucionado na terceira banda. Novamente cito o guitarrista solo como melhor instrumentista do grupo e deixou isso claro no cover Power Thrashing Death (Whiplash).

Vi um Thunder Steel mais maduro no palco e lembrei do que uma amigo disse na hora: “Gravar em estúdio lhe confere uma maturidade e uma qualidade maior”. Só pode ser. Na batalha pela divulgação do CD-demo o grupo estava afiado como nunca, bastante inspirado. O que estragou um pouquinho foram stage divers que demoravam minutos para pular do palco, atrapalhando a performance. Se eu fosse integrante do Thunder, estaria munido de um cinto. Quem demorasse a concluir o stage levaria uma bordoada nas costas para apressar o salto.

Não sei quem foram os responsáveis mas parabéns pela rápida alternância das bandas. Foram os roadies mais velozes que vi recentemente!

Noite chegando, entra no palco o Demonized Legion que realiza um Death Metal que não me agrada. Acho burocrático & monocórdico. Não é meu estilo. A platéia demora umas 2 faixas para começar a responder.

Saio sem assistir Ataque Violento, Rising War e o paulista Funeratus, a atração principal. Estou velho, cansado e meu salário não foi pago pelo Portal RockPotiguar.

O Animal Fest é a maior congregação headbanger da Zona Norte de Natal, merecendo nosso respeito & presença.

À esquerda, Sérgio Deluge.

Orkut do ANIMAL FEST

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Explícito!

6/09/2009 por Bruno Bruce

Fotos explícitas de Rodrigo Cruz neste link!

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Mantic Ritual

2/09/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Mantic Ritual

Por Bruno Bruce*

Avisado por um website especializado, parti numa busca particular pelo new blood metálico. Comprei alguns CDs de bandas promissoras no Thrash Metal, sub-gênero mais empolgante do estilo. Se o Heavy Metal, no seu estado puro, emociona-me de maneira etérea o Thrash é a trilha sonora para a metamorfose de um simples headbanger num werewolf com sangue nos olhos. E aí não há bala de prata que derrube a massiva força de um rebelde em exercício.

Os fundamentos do Thrash Metal, como tudo que circunda a verdadeira cena, são tão familiares e recorrentes para os metallers quanto vibratos desconcertantes. Mas estão tão a frente como sonoridade que, quando observamos a fauna & flora das bandas atuais (afeminadas, mimadas, super-produzidas), permanecem abrasivos, fatais como plutônio. Queimam sem piedade!

Irei resenhá-los aos poucos, sem pressa (jamais fazendo uma crítica faixa a faixa, que considero chata para quem lê e sinônimo de cultura rasa para o escriba). Até o instante da chegada dos mesmos, permaneciam como discos importados, caros e, devido a ladeira abaixo do mundo digital, também disponíveis on line gratuitamente para os morosos “metaleiros” de fim de semana.

Se você, leitor desavisado, busca novas sonoridades, esqueça Heavy Metal, pare de ler a Coluna RIFF. Você será a mosquinha morta depois do próximo ‘veraneio’ musical!

Prato do dia: Mantic Ritual.

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Disco: Executioner

Lançamento: 2009

Formato: CD (importado)

Mantic Ritual:

Ben Mottsman (baixo)

Adam Haritan (bateria)

Dan Wetmore (vocal/guitarra)

Jeff Potts (guitarra)

Ser lançado mundialmente pela maior gravadora de Metal do planeta diz algo. Mas também há muita bosta sendo prensada pela Nuclear Blast, é verdade. Não é o caso do Mantic Ritual, garotos estadunidenses da Pensilvânia. Esses moleques escreveram uma espécie de segunda versão do Kill ‘Em All (Metallica), com a abordagem de um grupo contemporâneo! Não é pouca coisa. O raw début do Metallica redefiniu todos os padrões do Heavy Metal, deu, pelo menos, mais 10 anos de fôlego ao estilo e mudou a vida de incontáveis adolescentes ao redor do mundo. Esta versão “moderna” do feeling oitentista apresenta bases comedoras de palhetas. E haja pulso para executar 11 músicas cheirando a jaquetas jeans e noitadas teenager-headbanger. Ok…há irrestritas influências do – antigo – Testament, Exodus, Kreator mas as bases ‘cavalgadas’ e o rifferama têm o sobrenome ME-TA-LLI-CA grafado no DNA do Mantic Ritual! Consigo até imaginar os primeiros ensaios da banda, tocando de modo tosco as músicas criadas por Ulrich/Mustaine/Hetfield. Aliás, gostaria de poder amarrar Lars Ulrich e James Hetfield, chicoteá-los com todas as minhas forças ao som de Next Attack, gritando: “Vocês inventaram isso no disco Kill ‘Em All e abandonaram sua criação a troco de quê?”.

Você tem saudades do Thrash norte-americano bay area original? Aqui está a cápsula do tempo que levará você  para o ápice de um estilo! Boa viagem.

Faixas:

  1. One By One

  2. Executioner

  3. Black Tar Sin

  4. Death And Destruction

  5. Murdered To Death

  6. Souls

  7. Panic

  8. Double The Blood

  9. Thrashatonement

  10. By The Cemetery

  11. Next Attack

www.myspace.com/manticritual

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Metalucifer

25/08/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Metalucifer

Por Bruno Bruce*

Disco: Heavy Metal Bulldozer

Lançamento: 2009

Formato: Vinil (gatefold)

Metalucifer (Membros Originais):

Gezolucifer (baixo & vocal)

Elizaveat (bateria)

Elizabigore (guitarra)

Projeto surgido em 1995 da cabeça de um metaller nipônico, o Metalucifer é ainda um dos poucos segredos dos insiders do movimento headbanger. Minha resenha do novo vinil irá causar mais um malefício do que uma contribuição à cena porque, o que deveria ser uma jornada na busca das bandas que realmente valem a pena, é entregue, graças a internet, de bandeja aos sonolentos & preguiçosos habitués de websites de música (os visitantes do portal Rock Potiguar estão inclusos nisto). Meu consolo é saber que haverá uma alma verdadeiramente rebelde, determinada, voraz pela sonoridade avant garde – de que se constitui o Heavy Metal – a ler essas linhas.

O Metalucifer é uma das bandas mais queridas & colecionáveis do Metal. Vinyl lovers, guardiões de uma sonoridade esquecida, seus integrantes estão acima do bem e do mal simplesmente porque têm respeito! Respeito pelos fundadores do Metal. Respeito pela tradição. Respeito pelo antigo. Esse respeito é traduzido num Heavy Metal sem vertentes. Um Metal resgate de tudo aquilo que fez um headbanger imaginar-se numa banda na década de 1980, em seu quarto, com headphones, a fantasiar-se em turnê mundial, somente pelo prazer de executar música pesada. As faixas do Metalucifer são a magia perdida da inocência.

O zênite do grupo permanece no irretocável Heavy Metal Chainsaw. Perfeita compilação de riffs de Metal tradicional, trazida à vida em 2001. Por que resenhar o brand new disc Heavy Metal Bulldozer? Porque esses porras fizeram algo jamais levado a cabo numa banda amada no underground ou fora dele: compuseram músicas, entregando-as a seguir para terceiros gravá-las e colocarem no mercado! Foi assim que Elizablumi (vocais/guitarra), Mamonohunter (baixo) e Tormentharou (bateria) lançaram a teutonic version do disco Heavy Metal Bulldozer. Inusitado…até desconfortante. Uma das bandas mais apegadas ao old school way inaugura uma espécie de franchising musical! Aos alemães foi dada a liberdade de re-arranjar os vocais e partes musicais.

Estou acostumado a ouvir o inglês hilário do original Metalucifer (com intenso sotaque japonês). Relevei isto, atendo-me às músicas-estandartes num inglês ‘normal’. Como é difícil descrevê-las. É um Heavy Metal tão singelo que comove. Guitarras com a afinação alta, baixo/bateria previsíveis, solos-que-já-ouvi-em-algum-lugar fazendo meu coração encher-se de emoção, como um colegial que gazeou aula em um dia de sol. Não posso culpá-lo, nem ao grupo.

A faixa Heavy Metal Iron Fists (segunda do lado A) é uma das mais robustas & marcantes. O que jamais deve ser esquecido é que a essência musical pode parecer ingênua mas é muito bem gravada, executada nos padrões dos grandes grupos. E todos os grandes nomes (Accept, Iron Maiden, Saxon, Judas) permeiam as faixas. Disco perfeito para você mostrar àquele seu sobrinho de 12 anos. Se o garoto gostar tenha a certeza que ele amará toda a New Wave Of British Heavy Metal, tornando-se uma chama difícil de o tempo apagar em seu coração!

A faixa Heavy Metal Wings Of Steel – que abre o lado B – aponto como uma das melhores deste álbum, ideal para air guitar fanatics.

Lições:

Lado A

  1. Heavy Metal Bulldozer

  2. Heavy Metal Iron Fists

  3. Heavy Metal Ambition

  4. Heavy Metal Highway Rider

Lado B

  1. Heavy Metal Wings Of Steel

  2. Forge The Axe – Heavy Metal Battleaxe

  3. Heavy Metal Warrior

  4. Heavy Metal Drill

www.truemetal.org/metalucifer

www.myspace.com/metaluciferfansite

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – O Twitter & O Biquíni Fio-Dental

4/08/2009 por Bruno Bruce

“Eu cansei da Internet. O Twitter é ridículo e há informação demais por aí. Celebridades, astros do cinema e do rock estão perdendo sua mística.”
(Nikki Sixx – Motley Crue. Fonte: whiplash.net)

Não tenho tempo nem a paciência adequada para discorrer longamente a respeito do custo-benefício social da internet. O texto acima ilustra parte do que penso a respeito do mundo conectado, plugado ou wireless. Certamente está matando a indústria fonográfica mundial. Aquele antigo molde comercial das gravadoras, de mão única, impondo tendências, acabou. Desde o Napster (alguém ainda lembra dele? Parece que foi há tanto tempo) o conceito de comprar e vender música deu a maior guinada da história. Que se fodam as gravadoras & grandes corporações. Nunca me deram nada grátis e eu nem queria nada de graça, pois odeio dever favores. Trata-se de um comércio e elas migrarão para outras (novas) formas de ganhar dinheiro, como já estão fazendo com o game Guitar Hero, músicas para celular et cetera. O que me entristece é a perda do mito, tão necessário em várias esferas. Exatamente como disse Nikki Sixx. A quebra das distâncias geográficas, a fácil acessibilidade aos grupos ajudou a enterrar um restinho de mágica que ainda houvesse neste mundo globalizado. Mas eu já vinha comentando isto com amigos (que nada entenderam) há tempos. Todos precisam de uma ‘porta na cara’ de vez em quando, de uma barreira impondo: “Aqui você não entra, daqui você não passa!”. As bandas de hoje são como mulheres de biquíni fio-dental na praia, que, de tão desnudas, nada deixam para a imaginação!

Na era mesozóica do Metal escrevi para o Iron Maiden, do meu quarto, uma carta destinada ao fã-clube do grupo. O endereço deles estava na contra-capa do vinil Piece Of Mind. Era necessário papel, caneta, um inglês razoável e a vontade de ir aos Correios, pegar uma fila, selar a carta e, finalmente, enviá-la com os Response Coupons. Você pagava para os caras retornarem sua missiva! Hoje qualquer moleque curioso tem pleno acesso a tudo que cerca um grupo, com um mínimo de esforço. Onde estão, o que comeram, o que (pretensamente) estão fazendo naquele exato momento; enfim…perdeu a graça! Isso também contribuiu para matar o Heavy Metal, estilo tão apegado ao mundo surreal, seja do Black Metal die hard do Venom ao Metal RPG (Roller Playing Game) do Blind Guardian. Resta pouco para a imaginação quando meus ídolos estão na frente de uma tela de LCD a responder e-mails ou alimentar um website com todas as minúcias & particularidades de sua vida.

De modo regular leio matérias com integrantes de bandas receosos quanto aos avanços tecnológicos, principalmente no que diz respeito aos sites de relacionamento, nos quais as gravadoras ou managers ’sugerem’ que sejam feitos perfis pessoais para agradar a nova geração de consumidores. Acreditam ser uma forma de aproximar o artista do público. Ao meu ver, para o ambiente do Heavy Metal, tem um efeito contrário, marcadamente destruidor. Proximidade demais estraga a mística de uma banda de Heavy Metal.

Há uma esperança! Está sendo criada uma nova horda de rebeldes. A música extrema já chegou ao seu limite. A nova fronteira para os grupos será manter a aura de inacessibilidade, indo contra todos os ditames comerciais em voga. Isso já é realidade para alguns e deverá se transformar num pièce de résistance dos indivíduos mais misantropos.

A propósito: fui respondido cerca de 4 meses depois pelo Iron Maiden FC. Enviaram um cartão de Natal exclusivo e votos escritos a mão. Guardei-o, com orgulho & carinho, por anos.

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Meus Antigos Heróis (Destruction)

21/07/2009 por Bruno Bruce

Nunca gostei de super-heróis, sejam dos quadrinhos ou do cinema (nos tempos atuais é a mesma merda. O cinema enlameia personagens originalmente obscuros & brutais, visando atingir uma faixa etária maior de adolescentes – ARGH! – e crianças). Quem lavava suas roupas? Por que a parte superior da calça do Incrível Hulk jamais rasga? E por que o Superman usa cuecas por cima das calças? Questionamentos sobre o seu cotidiano manchavam um possível brilho que eles pudessem exercer. Tudo me parecia muito intangível, distante. Mas tive meus ídolos e todos eles brandiam palavras de ódio, guerra, agressão. Bem, pelo menos os meus heróis na música sendo que nenhum deles foi mais querido por mim que a trindade do grupo Destruction: Schmier, Mike e Tommy. Eu os amava do único modo que um homem deve amar outro: com respeito & admiração! O Destruction era o meu alter-ego. Três alemães que desistiram de pentear os cabelos (transformados em imponentes jubas), recobertos de casacos de couro e jaquetas jeans, cintos de bala, esquálidos, altos (menos o guitarrista Mike). Você tem idéia de como isso é maravilhoso aos 16 anos? Foi quando recebi de presente o nascimento do Thrash Metal germânico na forma do vinil Infernal Overkill. Era 1985 e, amigos, eu não estava preparado! Numa viagem de meus pais a São Paulo obriguei-os a conhecer a Galeria do Rock (conglomerado imundo & mal-cuidado de lojistas de “róqui” naquela cidade de malditos). Levaram no bolso uma listagem de uns 10 vinis que eu desejava (embora tivessem avisado-me que só trariam uma unidade eu não podia correr risco deles voltarem sem nada nas mãos) e, admito, minha primeira opção era o Slayer, que acabara de lançar o estupendamente crucial Show No Mercy! O que importa era que, na volta dos meus pais, eu estava na sala com meu som 3-em-1 Gradiente sofrendo para expulsar pelas caixas os musicalmente improváveis, e até então nunca feitos, riffs da nova escola alemã do Metal. Eu era testemunha de um estilo a nascer. E tinha consciência disto! Eu desejei aquilo para mim. Eu desejei aquela vida. Eu tive inveja!

Classic_Destruction

(Mike/guitarra - Tommy/bateria – Schmier/baixo & vocal)

O Destruction manteve a alta qualidade de seu material até o vinil Mad Butcher de 1987, mudando de formação (época fundo-do-poço, com a saída de Schmier) e levando a cabo um magistral comeback com All Hell Breaks Loose (2000), algo que considero raríssimo no Heavy Metal.

Assisti-os em 2002, em Recife(PE), no Clube Internacional. Foi o melhor show que vi em mais de 20 anos como headbanger. Foi também uma das maiores tristezas da minha vida (na sessão de autógrafos, pela manhã, antes de tocarem. Mas isso é pano para as mangas de outra resenha!).

Hoje, vive de “renda”, de um passado glorioso, ainda lançando um escutável Thrash Metal, envelhecendo da maneira correta, como um dos sólidos pilares do gênero.

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Tampax Squad

18/07/2009 por Bruno Bruce

Droga_tá_vazando

Há algo que urge ser feito por mim: agradecer os diversos e-mails elogiosos vindos de um público que jamais imaginaria ser possível – as mulheres! Fiquei deveras tocado & alegre com mensagens de apoio a uma das primeiras postagens da minha coluna (veja link). Sim! Estou surpreso também e absolutamente motivado a seguir brandindo o que penso. Deus! Vocês, com argumentos consistentes, inteligência, razoabilidade (quem diria?!) e aquela feminilidade exalando progesterona me fizeram levantar a cabeça e seguir.

Como deve ter sido penoso vocês abandonarem momentaneamente as postagens diárias em páginas de relacionamento (tão caras e preciosas para a Humanidade), dedicando um momento a este cansado escriba! Estou orgulhoso.

A vida vale a pena! Obrigado amigas…‘Obladi Oblada life goes on’

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Meus Antigos Heróis (Rock Brigade)

15/07/2009 por Bruno Bruce

Em algum mês de 1985:

Subi a rua correndo com a edição XVIII, ano IV da Rock Brigade na mão! A capa trazia Manowar e Anthrax, tratando-se do primeiro exemplar colorido (em azul e dourado) desse periódico nacional. Como o carteiro passava primeiro na minha casa, não agüentei. Corri até a residência de Marcus Slayer. Ofegante saquei o exemplar e: “Olha aí mermão! Tá colorida, com papel melhor, muitas fotos”. Foram umas 2 horas folheando, comentando, sonhando. Mas não foi meu primeiro número dessa revista que eu comprava através de vale-postal via Correios. Era um trabalhão! Aliás, qualquer aquisição metálica era uma verdadeira batalha. Passei muitos minutos da minha vida pendurado no telefone, esperando a boa vontade dos atendentes da Woodstock Discos (extinta loja de São Paulo, especializada em Heavy Metal) em me vender um vinil. Lia, relia, marcava as resenhas mais favoráveis & promissoras, pegava o telefone torcendo para poder comprar o que havia selecionado.
Antiga_BRIGADE

Durante muitos anos a Rock Brigade foi o guideline, o farol no fim do mundo, auxiliando-me em um universo realmente paralelo. Não podia contar com mais ninguém com a credibilidade certa para orientar-me nesse movimento insurgente absolutamente encantador. Meus únicos heróis nacionais foram os primeiros redatores da Rock Brigade. Talvez por isso, antes de tentar empunhar uma guitarra, peguei uma máquina de datilografar Olivetti (modelo Studio 44) e publiquei fanzines, escrevendo sozinho no meu quarto, sem aplausos, nem platéia, numa espécie de hipogeu desse movimento headbanger. Meus redatores favoritos transpunham para o papel a magia dos discos que eu ainda não podia ouvir. De certa maneira era uma situação angustiante. Eles felizes com os lançamentos de bandas descomunais e eu lendo sua resenhas e mendigando a atenção da única fonte disponível para me abastecer de vinis: a Woodstock. Droga!

Sim. Eu tinha um redator predileto: Berrah de Alencar. Considerava seu léxico acima da média da revista. Com críticas apinhadas de termos como “bateria de britadeira”, “baixo-trovão” a Rock Brigade não era nenhum celeiro de grandes escritores, mas quem se importava? O que eu ansiava estava ali, em português. O caminho das pedras. A crítica parcial (como somente um apaixonado pode fazer!) de headbangers que amavam Heavy Metal & lutavam por suas idéias.

Hoje é lugar-comum utilizar a Rock Brigade como paradigma de “traição”, de “vendidos”. Que seja! A melhor posição é a da oposição. Muito confortável, inclusive. É verdade que a revista parece haver mudado desde o fim da década de 1980. Eu mesmo deixei de compra-la há muito mas sua história mudou a minha história e a de vários headbangers que conheci.

Tom G. Warrior

(Mestre do Black Metal: Thomas G. Warrior – CELTIC FROST)

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – O Martelo de Thor

29/06/2009 por Bruno Bruce

Heart_Like_Ice

Disco: Sons Of Northern Darkness

Lançamento: 2002

Formato: Vinil Duplo

Immortal:

Abbath (Vocal/guitarra)

Horgh (Bateria)

Iscariah (Baixo)

Meu primeiro contato com o Immortal se deu de modo traumático! Fui introduzido a sonoridade da banda pela minha, então, namorada (hoje, para minha fortuna, esposa). Ela, conhecendo meu gosto por uma linha mais tradicional do Heavy Metal, fulminou meu toca-cedê com Diabolical Fullmoon Mysticism (lançado em 1992). Era o mesmo que jogar um garoto colegial sozinho nas docas, a noite! Foi um massacre. Como a gravação do CD deixava a desejar ative-me a estética do grupo. Headbangers cuspindo fogo, com letras pagãs, arredios, obscuros, rostos e corpos cobertos por uma pintura tétrica…ganharam meu coração imediatamente. Havia algo ali. Havia talento. Continha uma inspiração terrivelmente mal direcionada, pessimamente gravada. Foram necessários mais 5 discos e 10 anos para a sonoridade do Immortal ser alçada a categoria de masterpiece. O disco Blizzard Beasts (de 1997) parece começar um novo traçado na carreira da banda, amadurecido em At The Heart Of Winter (1999), levando-os a Damned In Black (2000). Essa sim, a gema bruta! O mosto. Derradeiro suspiro do amadorismo sonoro. Lindo, focado em um Black Metal maiúsculo, orgulhoso, constituindo o último degrau para a perfeição que viria a seguir.

É impossível resenhar o disco posterior ao Damned In Black sem traçar um paralelo entre eles. Foi como observar um filho crescer. Observar seus defeitos e potenciais, regozijando-se quando as qualidades se sobrepõe as falhas.

A banda parece que já fez parte do famigerado Inner Circle. Grupamento acusado de satanismo e pró-nazismo que congregava alguns dos maiores nomes do Metal nórdico em suas fileiras. Extremistas que sujaram suas mãos de sangue! O Immortal passou, sabiamente, ao largo deste lixo-ideológico-barato. Até hoje um de seus fundadores, Abbath, alega que as letras da banda não são satanistas.

Nunca me conformei em ter somente o CD do Sons Of Northern Darkness. Era uma obsessão tê-lo em vinil. Eu deveria possuir este letal Martelo de Thor metálico na versão correta. Foram 7 anos de atribulações financeiras, onde prioridades de família drenavam meu orçamento no caminho contrário a aquisição deste vinil! Mas sou paciente e vivo uma paranóia mental particular que geralmente delega bons frutos. E chegara a hora da colheita! Um lojista do e-Bay disponibilizava o vinil num valor bastante razoável, numa versão dupla, de 180g, lacrado e na cor azul! Depois de alguns cliques e 30 dias de ansiosa espera, abro a embalagem com o Sons Of Northern Darkness. Estava ali o delta sonoro, a conjunção criativa de todos os melhores riffs já criados no Thrash/Black Metal. Reinventados, renovados, burilados por quem deve ter passado uma vida a escutar os mestres do calibre de Venom, Celtic Frost, Bathory, Destruction. O maior diferencial na composição da sonoridade do Immortal é a junção dos fundamentos do legítimo Black Metal com um Thrash Metal franco, vibrante. Essa marca chegou à perfeição no Damned In Black, obra em que até os mais pescoçudos headbangers têm dificuldade em definir qual estilo pesa mais na balança. Observe como a faixa One By One dá o pontapé inicial exatamente onde a última faixa do Damned In Black parou em termos de temática. É um war statement, numa cadência quase marcial (a partir do meio da composição) um chamado à batalha que segura suas bolas e olha fixamente em seus olhos, inquirindo: “Você vai lutar conosco ou vai fugir?”. “…The might we posses burn like fire…”, grita Abbath para minha aflição de não poder lutar essa batalha junto! Coladinha segue Sons Of Northern Darkness, bastante cruel & veloz, infligindo contra-tempos de bateria capazes de fazerem voar da boca uma dentadura mal fixada!

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O que leva o Sons Of Northern Darkness para um patamar acima? A fórmula já estava pronta no antecessor. Digo agora: no som, foram os climas atmosféricos. Essa lição foi aprendida com Quorthon, sem dúvida (referência recorrente do grupo quando discorrem sobre suas influências)! E estes ensinamentos fluem fortes nas faixas Tyrant e Beyond The North Wind, derradeira composição. Em todo o restante do disco, sempre que a cadência marcial da bateria dita o ritmo e dedilhados de guitarra figuram ao fundo, parece haver a sombra do Bathory. Abbath conseguiu incutir certa inteligibilidade à sua voz rascante. Caso raro na música extrema.

Mesmo com a faixa Demonium, a velocidade geral diminuiu em favor do peso (o Metallica ensinou com maestria no Masters Of Puppets), provando coragem neste mundinho black metaller apinhado de púberes fervorosos pela banda mais rápida que possa surgir. Esse embate somente pela rapidez das guitarras é enfadonho, nivelando (musicalmente) tudo por baixo. Mas adolescência é uma doença hormonal e como tal, passa! O Immortal é uma banda criativamente madura em seu estilo, fazendo música para uma platéia mais exigente e perspicaz.

No visual, o bom gosto tomou conta. É um ardil usar corpse paint e não incorrer na paspalhice (veja a Boneca Emília na versão Black Metal do nanico Dani Filth/Cradle Of Filth). Há um fortíssimo acento masculino no conceito. Aqui não há espaço para dualidades e a mensagem é reta. Todas as imagens capturadas em estúdio permeiam uma tonalidade azul-triste porque todo brute é na realidade um grande melancólico.

Fugiram dos excessos. Nada de entupir o mercado com quinquilharias sonoras (DVDs de shows sem-graça, CDs com bônus et cetera).

Qual a banda contemporânea que não tem atritos pessoais levados à mídia musical? Acusações mútuas, lutas por mais dinheiro, vaidades profissionais, traições. Nada disso atingiu este couraçado de retidão musical & moral denominado Immortal. Demonaz (um ex-membro) compõe todas as letras praticamente no anonimato, escondido das grandes oculares dos xeretas. Temas versando sobre frio/gelo, as florestas nórdicas, batalhas, o etéreo, endossam as entrevistas do grupo rejeitando a pecha de reles banda de Black Metal.

Abbath parou de excursionar por quase dois anos para ter tempo para sua família, apesar da condição de estrela inconteste do Black Metal…ganhando minha mente, por fim!

Peça obrigatória na coleção de um headbanger!

 

 

Anger rideth with the ones that knows fear

Who’s eyes like fire – who’s hearts like ice”

(Sons Of Northern Darkness)

 

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Nordeste em Festa! É São João No Sertão.

23/06/2009 por Bruno Bruce

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Singela homenagem da Coluna RIFF a maior data festiva destas paragens, ao melhor povo deste país, a mais rica & saborosa culinária da terra brasilis, a definitiva congregação cultural do Brasil (repentistas, humoristas, intelectuais, sanfoneiros, poetas & cantadores): N O R D E S T E!


Meu Capitão, Virgolino Ferreira (Será que ele entenderia a passeata gay?)

Luiz Gonzaga


Ariano Suassuna


Corisco (Jamais leu livros de auto-ajuda)

*Bruno Bruce

Com ascendentes nos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco recorda freqüentemente os momentos mágicos & felizes da sua infância na cidade do Açú, onde passava férias na casa de seus avós paternos.

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Coluna: RIFF – E Agora Varg?

16/06/2009 por Bruno Bruce

Quanto mais eu leio sobre a história do Burzum e de seu fundador mais percebo os motivos fúteis que levaram Varg Vikernes a cometer um homicídio. Não relatarei aqui a biografia deste moço, já extensamente escrutinada pela mídia especializada e pelas páginas policiais de periódicos estrangeiros. Todo headbanger que se preza conhece os fatos.

O homem foi solto (veja link no final deste texto)! Depois de 16 anos remoendo mágoas e, certamente, pensando o que poderia ter feito para não estar atrás das grades. O principal seria não ter matado Euronymous (nick name de Oystein Aarseth, antigo guitarrista do Mayhem) já que Varg fatalmente cometeria algo de mais sério que queimar igrejas seculares! O que o ex-detento relata e o que a justiça da Noruega levou em conta na hora de acusar-lhe são relatos diferentes mas o final é o mesmo: Oystein foi assassinado de modo frio, com uma faca incrustada na sua testa, quando estava dominado pelo oponente. Ponto! Se havia atenuantes (crime não-premeditado, auto-defesa, et cetera) não interessa. Se a justiça da Noruega usou de suas prerrogativas legais para endurecer por mais tempo sua reclusão, também não importa (receber indulto para visitar a família, não retornando na data combinada, sendo recapturado posteriormente com uma arma e um GPS atrapalhou um pouquinho suas apelações legais).

Seus textos escritos na prisão de Tromso são bastante extensos (talvez demais para o leitor mediano!) e intensos. Se diz injustiçado como banda-de-um-homem-só que é. Talvez. Terá agora a oportunidade de provar ao mundo o contrário. Terá talento para tanto? Talvez, também. Estará numa nova cena metálica mundial, bem diferente da época em que foi preso. Não há mais o hype black metaller dos anos 1990. O Black Metal chegou a um estágio de Metal sinfônico absurdamente bem produzido (Dimmu Borgir), raw made (Azaghal), cafona (Cradle Of Filth) e bem difícil de sobrepujar (Immortal, Behemoth). Achar sua trincheira será, pelo menos para mim, mero espectador da cena mundial, uma jornada maravilhosamente intrincada e capciosa.

Querer mudar o mundo, pelo menos o mundo onde ele estava inserido (dominado por uma religião que Vikernes considera alienígena à sua cultura), lhe rendeu uma estada forçada na prisão. Parte da sua vida foi perdida behind bars. Creio que ele errou no foco. A religião é apenas um braço menor de um domínio. Considero as multinacionais & os políticos nocivos numa via mais imediatista e permanente. Não devo condena-lo por completo. Muitas vezes quis queimar o que considerava ruim. Matar o que achava não merecer respirar. Fui, então, trabalhar, casar, ter filhos, construir uma vida. O tempo passou e ainda observo como ele estava errado no modus operandi. Tão redondamente errado que deu ao sistema a oportunidade de puni-lo exemplarmente!

Mas foi benéfico para a cena. Ele conseguiu, de um modo torto, a atenção que queria (é impossível não enxergar vaidade nas disputas com seus colegas de banda). Até hoje os headbangers destes blocos de gelo chamados países nórdicos (Dinamarca, Suécia e Noruega) são identificados como extremistas e, sei, sentem-se confortáveis com isso. A igreja, apesar da perda imensurável, não teme novos atentados. Euronymous foi assassinado ainda muito jovem, tornando-se instantaneamente uma lenda (embora eu acredite que ele preferiria morrer no anonimato e bem velhinho!). A polícia encontrou seu bode expiatório, enfim.

Resta saber: E agora Varg?

http://www.dagbladet.no/2009/05/22/nyheter/black_metal/varg_vikernes/6354526/

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – O Lobo das Estepes

6/06/2009 por Bruno Bruce

I know you watch over me
Father of all the past
And all that will ever be
You are the first and the last

The watcher of all that lives
The guardian of all that died

The one-eyed God way up high
Who rules my world and the sky

Northern wind take my song up high
To the Hall of glory in the sky
So its gates shall greet me open wide
When my time has come to die
(Song To Hall Up High – BATHORY – LP: Hammerheart)

No mês de junho de 2004 morreu a mais icônica personagem do Black Metal! Thomas Fosberg morrera sozinho, em seu apartamento, de falência cardíaca súbita. Parece não haver glamour e soar pouco másculo um fim destes. Afinal toda a estética visual/sonora da banda que capitaneava estava intrinsecamente ligada a cultura viking, com sua força & bravura. Quorthon (como era conhecido a frente do Bathory) morreu como um viking moderno. Já que as leis infelizmente nos tolhem de empunhar espadas contra nossos atuais maiores inimigos (políticos, grandes corporações comerciais, juristas e advogados maliciosos) ele manteve sua arte o mais longe possível do consumo de massa e de maneira romântica jamais se vendeu. Atitude tremendamente difícil em qualquer meio e tarefa hercúlea quando se está inserido na indústria musical.
Essa era a segunda maior arma na sua bainha: comprometimento e dignidade.

O Bathory foi tudo aquilo que se propôs a ser. Inventou uma vertente do Heavy Metal – o viking Metal – e, em mais de uma dezena de discos obrigatórios para qualquer headbanger, misturou a crueza tosca próxima – acredite! – do hardcore e os climas atmosféricos sublimes. Aliás, o Bathory, na minha concepção, estaria mais talhado para faixas como A Fine Day To Die, Father To Son, One Rode To Asa Bay, Song To Hall Up High do que para os temas rápidos. Apesar de uma sofrível qualidade sonora acompanhar toda a sua discografia, seja ela em vinil ou CD (seria intencional por parte da mixagem e produção?), o peso descomunal de sua música entrega seu recado em meio a mais pura poesia. Poeta versado em genuíno Black Metal, sua contribuição foi incomensurável.
Essa era a arma mais forte em seu braço direito: a alta qualidade de seu material.

Inúmeros mitos cercam sua trajetória.
Como homem sabemos quase nada sobre Thomas. Solitário, arredio, parecendo cansado de tudo. Eu o compreendo hoje. É extenuante já nascer velho para esse mundo! Já saber desde cedo que a iniqüidade (vinda de um amigo, de uma gravadora) permeia nossas relações sociais. Deve ser fatigante estar a par disto e ter que comercializar sua arte. É uma angústia não poder sacar um punhal e fazer verter até a última gota de sangue de um homem sem honra. Também sinto isso, todos os dias!
Quorthon cercou-se de certos cuidados. A inteira discografia de sua banda permanece sob o controle exclusivo da Black Mark Productions, parceiro desde a primeira hora e, como não poderia deixar de ser, também cercado de lendas. Poucas fotos de Quorthon são de domínio público. Se deixou rebentos ninguém sabe ao certo. Sua vida pessoal não deveria ser exposta. Na era globalizada, onde famílias vendem sua intimidade para programas televisivos e bandas barganham a integridade de sua música em troca de maior exposição, manteve-se ‘um lobo das estepes’, circundando, observando, indomesticável pelo sistema.
Esse foi seu maior escudo, mesmo depois de sua morte: o distanciamento da cena metálica e, posteriormente, de toda a mídia.

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Maracujás & Caixões

21/05/2009 por Bruno Bruce

Por Bruno Bruce*

A visão de perto dos integrantes do Motorhead (Abril Pro Rock/2009) e do Iron Maiden chocou-me. Chega a assustar o rosto maracujá-de-gaveta de Lemmy! A tríade álcool/drogas/cigarros deixa lá suas marcas, claro, mas a idade desses malditos avançou sobremaneira, marcando com fundos sulcos suas faces. Neste mundo onde o padrão de beleza “malhado” e saudável serve de norte para as atuais gerações é reconfortante poder contar com ídolos visivelmente destruídos pelo tempo, mas há um limite difícil de explicar. Quando Kerry King (Slayer) começou a perder os cabelos e a ganhar peso parecia que viraria a imagem de seu tio velho bebum, habitué da cigarreira da esquina. O que King fez? Raspou o cabelo, engordou sem medo e seu corpo dá pra ser lido como um gibi tamanha a quantidade de tattoos. Essa é uma maneira certa de ficar velho numa banda de Metal!

Um amigo me emprestou um DVD pirata (nunca compro itens não-oficiais) de um festival europeu com grupos antigos & recentes. Lembro de assistir um Manilla Road obsoleto como ficha de telefone público. Integrantes originais gordos como leões marinhos e novatos de cabelos curtos, musculosos da maneira errada (com camisas apertadinhas e semblante saudável). A gordura ou a calvície só atrapalham numa banda de Metal quando ela não as assume do modo correto. Bandanas, bonés (ridículo, ainda mais com a aba virada para trás) são um modo errado para esconder uma cabeça sem cabelos, por exemplo.

Por essas e outras prefiro não assistir a nada atual de bandas que amava na minha adolescência mas que envelheceram do modo errado. É como ver um amigo morto, inchado e irreconhecível num caixão, após um acidente. Não, obrigado! Prefiro enterrá-lo com sua imagem jovial na minha memória. Talvez seja por isso que detesto revivals de bandas antigas, sumidas por anos, que reaparecem para assombrar-me como um live undead dos infernos. Fiquem em casa e reeditem seus álbuns em vinil (com faixas bônus, please!).

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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