Coluna: RIFF – Cachorro-Quente & Cerveja

17/02/2010 por Bruno Bruce

Chamada Carnavalesca do Rock

Centro (Natal/RN)

16 de Fevereiro de 2010

Cheguei agora da 4ª Chamada Carnavalesca do Rock. Evento gratuito, na rua. Bebi o usual. Nem tanto nem tão pouco porque amanhã (quarta-feira de Cinzas) eu trabalho.

Nunca entendi porque alguns conhecidos falam mal de Anderson Foca(*) na minha frente (criatura responsável por mais este evento). Organizei 2 shows do Heavyllon na sua casa (DoSol Rock Bar) e tudo que foi prometido ele cumpriu. Trata-se do maior empresário do Rock ‘N Roll em Natal, na melhor acepção da palavra ‘empresário’. Sempre deixei isto claro.

Comando Etílico

Estava às 18H30 no Centro Histórico da cidade de Natal, crente que (em virtude da hora) não assistiria bostas como a banda Seu Zé, que executa um ‘telengotengo’ sonoro assexuado & sem peso. Errei feio! Depois de ver homo-afetivos (novo termo para a viadagem) se beijando na platéia um amigo falou: “Já paga a gasolina que gastei” tamanha a concentração de malucos-beleza, desocupados e, em boa quantidade, amantes de Rock, é verdade! Eventos ao ar livre são invariavelmente logrados de êxito (cachorro-quente de rua e cerveja gelada são imbatíveis). Ponto para a organização. Observar Polícia Militar sempre por perto me traz paz & certeza que meus impostos são revertidos a meu favor. Carros da Patrulha fechavam as ruas, ainda bem!

Headbangers [É difícil para um outro estilo sonoro competir com eles!]

Depois de uma demora considerável o motivo da minha presença entra no palco: Comando Etílico. Heavy Metal em caps lock, sem inovações, cagando para as modas atuais. Headbangers agitando, pulando do palco, em cima das caixas de som, numa roda de pogo pacífica & brutal fazem a minha vida valer a pena. Achei o show curto, sem alguns clássicos do grupo. Nem sei o que tocou depois mas seria difícil de superar a vibe metálica que o Comando Etílico proporcionou. Não fiquei para ver.

Encontrei o marco zero do headbanger local. Dedê Thrash estava lá. Love & Respect, Dedê.

Dedê Thrash

(*)

Proprietário do DoSol Rock Bar

Integrante de algumas bandas locais de Rock

Manda-Chuva do selo DoSol Discos

Agitador Cultural (seja o que diabos isto for)

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Get Thrashed [ Documentário ]

11/02/2010 por Bruno Bruce

Get Thrashed – Obra obrigatória para fãs do melhor sub-gênero do Heavy Metal

DVD - Capa

Para o headbanger este DVD não é novidade. Lançado em 2008, premiado algumas vezes em circuitos independentes, benquisto no meio metálico mundial, Get Thrashed é como aqueles antigos fanzines datilografados & ‘xerocados’: obra de um fã para outro aficionado. O autor faz um apanhado – com gosto bastante pessoal – do segundo maior blitzkrieg metálico: o nascimento & a explosão do Thrash Metal (o primeiro foi a New Wave Of British Heavy Metal).

Um detalhe não foi percebido/comentado por amigos em conversas a respeito do documentário: há o Thrash Metal norte-americano e o correlato europeu. Apesar do mesmo nicho musical são bandas com características intrinsecamente diferentes (Slayer/EUA e Destruction/GER pertencem ao mesmo gênero e em nada se parecem). Isso vale para o Death Metal também. Seria uma oportunidade para a ‘resposta’ de um headbanger do Velho Mundo, na forma de um DVD, com seus ícones deste passado recente?

Kerry King [Slayer]

Foi emocionante assistir declarações como a de Katon De Pena, vocalista de uma obscura cult band (Hirax), um dos raros negros no mundo do Metal.

Bom momento também para os “metaleiros’ de hoje assistirem o extinto Metallica em seu auge alcóolatra e inspiradíssimo (fase do Kill ‘Em All até Master Of Puppets).

Cadê as mulheres na frente dos palcos na década de 1980? Éramos pura testosterona, suas seqüelas & ditames! O mundo ficou um pouco pior com o desmantelamento do verdadeiro underground metaller.

Fui o único a notar a falta de bandas como o Whiplash, por exemplo?

Quem acompanha a cena sabe que o Thrash retornou com força através das centenas de grupos em todo o mundo. Jovens de diversas nacionalidades voltaram a vestir jaquetas com patches, debulhando riffs velozes em bandas como o Skeletonwitch, Mantic Ritual, The Force et cetera.

Fiz algo de que não me orgulho: baixei (eca!) o conteúdo. Tentei comprá-lo mas custaria proibitivos R$ 75,00 com remessa internacional. Era fazer isto ou desistir do show do Overkill em Recife/PE (20 de março próximo).

Get Thrashed Website

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Master & Predator [ Uma Aula Por R$20,00 ]

30/01/2010 por Bruno Bruce

Master (USA)

Predator

Nighthunter

Megadeth Cover

DoSol Rock Bar

Natal/RN Brasil

29 de Janeiro de 2010

Estou cansado mas feliz por haver assistido este show! Testemunhei uma aula de sabedoria metálica e a vitória do esforço sobre as vicissitudes. Mas vamos por partes.

Roberto [ Predator ]

A imediação da rua Chile estava repleta de carros e transeuntes levando a crer que o DoSol iria lotar. Ledo engano. Numa observação mais detalhada descobri haver, próximo dali, uma apresentação baseada em um ritmo que usa o ‘baseado’ como bandeira (É…sei fazer trocadilhos infames também). Nunca irei entender isto em Natal. Já fui em shows de bandas chinfrins, que tocam quase todos os meses por aqui, com casa mais cheia que desta vez. Paga-se 10 ou 12 reais para assistir somente a grupos locais. Nada contra a prata da casa mas headbanger que se preza guarda uma grana e garante presença num show internacional anunciado há 3 meses, sendo, provavelmente, a primeira & última oportunidade de observar tal grupo. Vejo criaturas viajarem para o interior do estado, raspando suas economias para ver bandas fuleiras sabendo que 2 meses depois não terão dinheiro para ir ao show de um mito mundial em Recife, por exemplo!

Nighthunter

Enquanto o Megadeth Cover tocava para uns gatos pingados lá dentro preferi por a conversa em dia com meus amigos, dentre os quais, Roberto (baterista do Predator) a me relatar detalhes do bizarro acidente que vitimou Leon Villalba e Timothy Kennelly, integrantes do After Death, numa fatalidade digna dos episódios de Twilight Zone (Master, Predator e After Death cobririam juntas diversas datas em território brasileiro). O azar destes ingleses culminou em suas mortes, sendo notícia em telejornais nacionais. Mesmo avisados dos cuidados que deveriam ter para tudo correr bem eles esqueciam frequentemente as bagagens e tinham um comportamento bastante relaxado quanto a sua própria segurança.

Predator [Luciano & Jenner]

Idolatro Thrash Metal portanto não há como não gostar do Nighthunter. Ainda não vi alguma apresentação ruim deles. As vezes o som não ajuda (não foi o caso) mas é sempre bom escutar seu Thrash rascante.

Preciso dizer isto da forma mais clara, respeitosa e sincera possível: não gosto do som do Predator. Conheci seus integrantes no Heavyllon de 2007 e nossa amizade só cresceu desde então. São três seres humanos afáveis & atenciosos. Seu Death Metal consegue ser exatamente o tipo de sonoridade que não me agrada. Acho burocrático e peca também pela escassez de partes melódicas. Pronto, disse! Tirei isso do meu peito. Show correto e energético.

Predator

Master

Paul Speckmann [Master]. Um gentleman!

Já mostrei minha indiferença por bandas decadentes em comebacks dispensáveis. Há uma linha tênue separando o modo correto e o modo errado de voltar aos palcos. O Master leva o meu carimbo ‘modo correto’. A fadiga dos caras era visível nos semblantes. Tour corrida, underground na essência da palavra. Ver Paul Speckmann, massacrado pela rotina das viagens, a autografar vinis, possar para fotos e interagir em conversas foi observar um gentleman do Metal. Ele ganhou meu respeito ali, antes do show, onde eu o mirava pelo canto dos olhos e  julgava como tratava os fãs. Admito: nunca tive um vinil do Master e nem lembrava mais das músicas. Vi um show de Death Metal de qualidade mundial!

Paul Speckmann [ Respect, man!]


Notícia sobre as mortes

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – 1 Ano & Algumas Lembranças

18/01/2010 por Bruno Bruce

Um ano da infame Coluna RIFF! Como comemoração mostro agora algumas fotos(*) de 1986. Nesta época as 2 dezenas de headbangers de Natal se reuniam com freqüência, escutando uma música alienígena, compreendida por poucos. Cada pretoriano desta horda maldita tinha um nickname, um novo batismo pagão e por ele era identificado nesta nova sociedade. Os grão-mestres, na minha concepção, eram Rodrigo Hammer, Paulo Jorge Blackmore & Carlos Little Bastard. Originalmente roqueiros que enveredaram na mais pujante manifestação de força musical: Heavy Metal. Foram os tutores que me apresentaram Metallica, Exodus, Hirax, Slayer, Overkill bandas punk e literatura obscura. Minha vida neste planeta nunca mais foi a mesma!

(DD Thrash, PJ Blackmore, Rodrigo Hammer)

Na esquina das avenidas Prudente de Morais e Apodi havia uma banca de jornais e dentro dela o marco zero do headbanger natalense: Dedê Thrash. Arredio, tímido, cabeludo, vendendo revistas e chicletes. Vestia sempre jaqueta com patches, calças jeans & chinelas de dedo. Cruzamento bizarro de nordestino e banger europeu. A banca de Dedê serviu de ponto de encontro das figuras mais esdrúxulas. Lá conheci Sopa de Osso (primeiro punk que vi na vida), Luziano Rock Stanley e toda uma gama de freaks. Esta banca tinha um espaço interno de 1 X 2 metros, extremamente apertada, onde Dedê só permitia a entrada dos inseridos nesta fraternidade. Um belo dia disse: “Bruninho, entra aí e venha escutar essa fita”. Sentado num velho banquinho de madeira, no calor, escutando fitas-cassetes, tive a mais alegre certeza: fui aceito! Eu era novato mas no meu coração já batia a sensação de haver encontrado minha verdadeira turma. Poucas coisas na minha vida foram tão marcantes, importantes & marejam meus olhos até hoje! Uma certa tristeza & melancolia também passou a fazer parte de mim desde aí. Sabia que, provavelmente, nunca mais sentiria algo tão forte na cena metálica.

(Carlos Little Bastard, Guga, Bruno Bruce, Dodias)

Preciso agradecer publicamente a Rodrigo Cruz, editor do Portal RockPotiguar. Graças a este passei a escrever também no Recife Metal Law (website pernambucano), no Jornal de Hoje (impresso potiguar) e no Whiplash.net (maior portal de Rock/Heavy Metal do Brasil. Com mais de 30.000 visitantes/dia), mas foi somente no RockPotiguar onde jamais sofri censura. Acredito no esforço, no trabalho diário, na vitória do homem comum. Estou inserido num ambiente musical apinhado de idiotas, drogados ilícitos, preguiçosos, lerdos, de pessoas sem foco, mentalmente confusas. Delas recebi comentários jocosos, com um português raso. Neste mundo decadente onde todo mundo é “bacana” e faz “arte” sou a voz dissonante, vilã, militarista, belicosa. Tenho orgulho de não seguir a manada.

* Fotos: Arquivo pessoal Carlos Little Bastard


Matérias Publicadas no website Whiplash.Net

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Heavyllon 2009

23/12/2009 por Bruno Bruce

H e a v y l l o n   2009

Por Bruno Bruce*

Espaço Cultural Nestor Lima, Parnamirim/RN

19 de Dezembro de 2009

Monolight

Born, Suffer, Die (CE)

Inner Demons Rise (PE)

Metallica Cover

Fullsion

A saber: Festa idealizada por mim e organizada por Mitchell Pedregal, que remonta o início da década de 1980, sem fins lucrativos & destinada a servir de confraternização dos headbangers natalenses.

Metallers

O Heavyllon/2009 foi totalmente feito por Mitchell Pedregal. Meu nome nem merecia aparecer no belo cartaz. Havia tomado a decisão de não fazê-lo mais na madrugada de 2008, em frente a Music Club, quando retirava um banner com nosso logotipo, exausto depois de outro evento dedicado aos headbangers. Havíamos alugado um dos mais caros espaços para show de Natal, com excepcional estrutura (sonorização da Helisom, ar-condicionado central, seguranças uniformizados/educados), sem patrocínio em dinheiro, contando somente com a providencial ajuda de amigos. Mas já estava ciente destes obstáculos. Cobrimos o custo do aluguel de R$ 2.000,00 com o apurado da bilheteria. Nem levamos em conta os gastos com celular, combustível, painel, cartazes, alimentação dos grupos etc. A Mitchell coube ainda um prejuízo adicional de R$1.000,00 referente a um cachê antecipado, pago a banda Stress, que acabou não tocando na nossa festa. Pilantras!

Estava cansado de enfrentar este calvário que é organizar um evento na época mais complicada do ano, deixando isto bem claro ao meu amigo em novembro de 2009, as portas de uma nova edição do Heavyllon. Senti sua decepção comigo estampada em seu olhar. Nunca havia visto aquele seu semblante. Engoli em seco (por havê-lo magoado) e partimos para mais um ano com a nossa festa.

Monolight

O que deveria ser uma espécie de churrascão somente entre amigos (minha vontade) virou um show de 5 bandas até o amanhecer (desejo de Mitchell). Depois de trocas de e-mails e telefonemas ele conseguiu trazer os pernambucanos do Inner Demons Rise e os cearenses do Born, Suffer, Die que juntaram forças com as bandas locais. Um verdadeiro achado foi o Centro Nestor Lima, em Parnamirim (cidade coladinha a Natal). Lugar limpo, novinho, aberto, com piscina e barzinho bem montado. Uma das coisas que mais odeio é a errônea concepção de que festividades ligadas a Heavy Metal devem ser sujas e em lugares mal-acabados. Sempre combati esta distorção. Heavy Metal é consumo para a classe média em diante, é para aqueles que têm um mínimo de poder aquisitivo. Observe como são custosos os ingressos para apresentações de estandartes do gênero (nem cito CDs e DVDs porque hoje são baixados vorazmente de graça pela internet). Pusemos nosso maior diferencial como evento – o telão – a jogar nas retinas imagens dignas de um museu do movimento metálico potiguar, com clipes novos & antigos, velhíssimas matérias de jornais. Deleite certeiro para todos, sempre! O Monolight abriu com competência a noitada embasado em covers e em algumas músicas autorais que mantiveram o clima old school aceso. Vieram na seqüência Born, Suffer, Die, Inner Demons Rise, Metallica Cover e Fullsion. Resenhar performances ao vivo, faixa a faixa, não é minha praia nem tenho vontade porque, simplesmente, acho chato pra caralho (fica para jovens escribas). Amigos consideraram o segundo melhor Heavyllon dos seis que fizemos, perdendo somente para o evento mágico realizado no Bar do Antônio Rock ‘N Roll. Mas é isto. Ainda não há fórmulas escritas para o encantamento perfeito.

Born,Suffer,Die

Mitchell cumpriu, com a devoção que lhe é peculiar, a função de cicerone dos grupos de fora, algo não-costumeiro aos “produtores” de shows de Metal (quase sempre mesquinhos, de alma soez). Recebeu-os de maneira carinhosa, levando-os para almoçar e cuidando de dar-lhes a atenção merecida, após enfrentarem horas de estrada para tocar Heavy Metal, exclusivamente por prazer.

Inner Demons

Os oitenta pagantes (dos, aproximadamente, 120 viventes que lá estavam) cobriram parcialmente os custos. Nunca mensuramos o sucesso em papel-moeda. Vimos rostos felizes, vimos antigos headbangers (é, eles existem), vimos bandas dando o seu sangue para o melhor público do mundo: os headbangers do Heavyllon. Pagamos dos nossos bolsos ao longo destes 6 eventos para que isto aconteça de modo decente. Uma pessoa em particular encheu meu coração: Paulo André, guitarrista do Inner Demons Rise. Antigo banger de Recife a exalar uma alegria próxima a infantil, tocando com devotado amor sua linda BC Rich, parecendo estar frente a milhares de pessoas! Este é o espírito, meu amigo!

Metallica Cover

Bruno Bruce’s Love & Respect:

Mitchell Pedregal (Me perdoe, irmão!), Temístocles Crossover Júnior, Edson Geléia, Eduardo Heavy Mirim, Igor Sabbath, a todas as bandas que tocaram pela Irmandade.

“United We Stand – Eternal Ban

Together We Are Strong – Eternal Ban”

HEAVYLLON – MySpace

HEAVYLLON – Fotolog

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Ruído das Minas

30/11/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Ruído das Minas

Por Bruno Bruce*


Uma confusão de sentimentos veio à tona quando assisti o documentário Ruído das Minas.

 

Gostei porque:

lembrei que na época podia beber muito sem ter hangovers de dias

a vida era mais simples

ninguém ligava para Heavy Metal

tínhamos que explicar o que era Heavy Metal

ninguém usava o infame termo ‘true’ (todos eram true)

havia encontrado minha verdadeira turma

foi algo novo, brutal, misantropo, restrito a um círculo muito fechado

éramos headbangers & causávamos medo

há o Sepultura

Detestei porque:

recordei os porres e passo mal somente por isso

odeio adolescentes

todo mundo, hoje em dia, sabe o que é Heavy Metal (ou pensa que)

foi massificado

(na mídia laica) somos “metaleiros” até hoje

ainda há um decadente/vergonhoso Sepultura por aí

 

Ruído das Minas

Direção: Filipe Sartoreto

 

Página MYSPACE do Documentário

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – O Boneco Falcon

21/11/2009 por Bruno Bruce

O Boneco Falcon

Por Bruno Bruce*

Disco: All Shall Fall

Lançamento: 2009

Formato: Vinil numerado de 180g (Nuclear Blast)

Immortal:

Abbath (guitarra/vocal)

Horgh (bateria)

Apollyon (baixo)

Não pude conter a ansiedade ao receber pelos Correios a caixa de papelão com o novo ‘bolachão’ do Immortal. Depois de resenhar o zênite do grupo (veja link O Martelo de Thor no fim desta) estava tremendamente curioso com a trajetória que seguiriam. Haviam encontrado o balanço delicado entre Thrash & Black Metal, atingindo uma gama imensa de metallers e ainda assim mantinham uma aura de cult band, quase inacessíveis! Mesmo com uma formação que varia (novo baixista, Apollyon) a matriz do conceito não se altera. Corpse paint, power trio (mais que 3 é demais para uma hábil banda), somente uma foto no encarte e Demonaz nos bastidores (responsável pelo direcionamento, escrevendo letras sobre batalhas brutais).

All Shall Fall veio para firmar em definitivo a cadência nas músicas da banda, confirmando o que eu já havia escrito sobre eles quando do vinil anterior, ou seja, a respeito do posicionamento sonoro destes headbangers! A busca pela velocidade muitas vezes serve apenas para mascarar limitações como instrumentistas. Pior quando um exímio músico floreia velozmente para exibir-se. AAARRGH! Nada disto acontece aqui. Você nunca observará um soldado de elite vociferar sua letalidade antes de um combate. Estes segredos serão expostos no momentum apropriado. É assim que o Immortal aporta na música: furiosamente certeiro & tranqüilo do fio afiado de sua navalha metálica. Sem alvoroço!

O disco abre dramático com All Shall Fall, em grandioso estilo. Os dedilhados e o ritmo marcial da bateria já se fazem presentes desde agora. Na seqüência a minha predileta, The Rise Of Darkness, emotiva como gosto, com guitarras rascantes. Vem Hordes To War, a mais rápida do vinil. Se você não conhece o Bathory, não se desespere. Caso goste da faixa Norden On Fire já será fã do Bathory por tabela. Cópia da sonoridade presente no Blood Fire Death, um dos discos mais essenciais do Metal neste planeta. Fui no encarte observar se não tratava-se um cover, tamanha semelhança. Não era! Mais quatro (boas) músicas…e só. A sensação que tive foi a de quando, infante, ganhei meu boneco Falcon! Na TV ele fazia tudo, movimentando-se como um ninja bebedor de Red Bull. No meu quarto, jazia parado como um gato morto! Fui enganado. Para um brinquedo você até abre a imaginação mas para uma banda que prometia um sucessor excelso você cerra os dentes. Fui enganado, again!!!

Bandas da estirpe do Immortal representam um antigo código, fora de moda, não-usual que reza o afastamento do mundo comercial, principalmente no quesito arte. Eles são cientes disto, são sabedores que Heavy Metal é sacerdócio e o Black Metal a perfeição da fé pagã, obscura, exclusiva para poucos, de indivíduos que (ainda em vida) morreram para este mundo. E lá se foram 10% de meu respeito pelo trio quando vi perfis deste estandarte no Facebook, Twitter e afins. Mesmo que enxutos, somente para divulgá-los, torci o nariz. Seriam realmente necessários? Lançaram CD, CD digipack, vinil simples, vinil numerado e box. Como fã…babei, comprando o que pude. Como crítico tive nojo! Mas ser fã é estar munido de fé, é ser um apaixonado e paixão jamais anda de mãos dadas com a razão.

Como crítico: All Shall Fall está muito, mas muito aquém do transcendentalmente inspirado Sons Of Northern Darkness. O auge da banda já houve e não irão superar-se. Pode parecer uma crítica dura mas compreenda que a banda define, na parte que lhe cabe, os rumos de um sub-gênero substancioso do Metal. Parcela desta possibilidade de apontar caminhos advém da capacidade de surpreender. Este disco é bom mas não surpreende!

Como fã…comprarei todas as quinquilharias que lançarem no mercado e jogo uma moeda no ar, apostando que tão cedo os verei por estas (nordestinas) paragens, pois são indiscutivelmente grandes demais nos maiores mercados para o Metal no mundo (Europa & Japão) para darem as caras por aqui!

Lado A:

01 – All Shall Fall

02 – The Rise Of Darkness

03 – Hordes To War

Lado B:

01 – Norden On Fire

02 – Arctic Swarm

03 – Mount North

04 – Unearthly Kingdom

O Martelo de Thor – Resenha do disco Sons Of Northern Darkness

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Skeletonwitch

3/10/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Skeletonwitch

Por Bruno Bruce*

Avisado por um website especializado, parti numa busca particular pelo new blood metálico. Comprei alguns CDs de bandas promissoras no Thrash Metal, sub-gênero mais empolgante do estilo. Se o Heavy Metal, no seu estado puro, emociona-me de maneira etérea o Thrash é a trilha sonora para a metamorfose de um simples headbanger num werewolf com sangue nos olhos. E aí não há bala de prata que derrube a massiva força de um rebelde em exercício.

Os fundamentos do Thrash Metal, como tudo que circunda a verdadeira cena, são tão familiares e recorrentes para os metallers quanto vibratos desconcertantes. Mas estão tão a frente como sonoridade que, quando observamos a fauna & flora das bandas atuais (afeminadas, mimadas, super-produzidas), permanecem abrasivos, fatais como plutônio. Queimam sem piedade!

Irei resenhá-los aos poucos, sem pressa (jamais fazendo uma crítica faixa a faixa, que considero chata para quem lê e sinônimo de cultura rasa para o escriba). Até o instante da chegada dos mesmos, permaneciam como discos importados, caros e, devido a ladeira abaixo do mundo digital, também disponíveis on line gratuitamente para os morosos “metaleiros” de fim de semana.

Se você, leitor desavisado, busca novas sonoridades, esqueça Heavy Metal, pare de ler a Coluna RIFF. Você será a mosquinha morta depois do próximo ‘veraneio’ musical!

Prato do dia: Skeletonwitch.

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Disco: Beyond The Permafrost

Lançamento: 2007

Formato: CD (importado)

Skeletonwitch:

Nate Garnette (guitarra)

Scott Hedrick (guitarra)

Chance Garnette (vocal)

Eric Harris (baixo)

Derrick Nau (bateria)

À medida que você envelhece sua mente passa a armazenar odores, sentimentos & situações que servem de base para a sua vida. Isso eu chamo de experiência! Aquela habilidade de discernir mais aguçada daqueles que escaparam da morte por mais tempo do que outros. No quesito música aprendi (a ouvir) muita coisa, enxergando elementos singulares.

A banda Skeletonwitch é bastante singular. Sua música é Thrash Metal. Seu visual é Thrash Metal mas há diferenciais. A começar por faixas curtas com 2, 3 ou 4 minutos. O monumento Beyond The Permafrost (que título lindo!) é o segundo full lenght do grupo. Banda norte-americana (Athens/Ohio) fundada em 2003 da qual só consegui traçar um paralelo musical com o contemporâneo Amon Amarth, quando das bases de guitarra ‘tristes’, monotemáticas. Outra característica: faixas desafiadoramente intrincadas. Não há espaço para a preguiça musical. Um vocal rascante, econômico, marca as músicas. Acertaram quando pontuaram a ‘metranca’ somente como antítese da cadência inerente ao Thrash nas 12 composições (o inverso do Grind Metal). Com um par de guitarras (Garnette/Hedrick) que utiliza a técnica  como ponte para entregar fúria em riffs que já nasceram clássicos!

Beyond The Permafrost data de 2007, continua importado – a banda já tem um novo monstro musical denominado Breathing The Fire prestes a ser lançado – e será difícil de ser superado por um novo trabalho.

Um disco inspirado, empolgante, rápido. Skeletonwitch é a jóia da coroa do novo Thrash Metal!

Faixas:

01 – Upon Wings Of Black

02 – Beyond The Permafrost

03 – Baptized In Flames

04 – Sacrifice For The Slaughtergod

05 – Vengeance Will Be Mine

06 – Limb From Limb

07 – Cast Into The Open Sea

08 – Fire From The Sky

09 – Soul Thrashing Black Sorcery

10 – Remains Of The Defeated

11 – Feast Upon Flesh

12 – Within My Blood

www.myspace.com/skeletonwitch

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Ramming Speed

20/09/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Ramming Speed

Por Bruno Bruce*

Avisado por um website especializado, parti numa busca particular pelo new blood metálico. Comprei alguns CDs de bandas promissoras no Thrash Metal, sub-gênero mais empolgante do estilo. Se o Heavy Metal, no seu estado puro, emociona-me de maneira etérea o Thrash é a trilha sonora para a metamorfose de um simples headbanger num werewolf com sangue nos olhos. E aí não há bala de prata que derrube a massiva força de um rebelde em exercício.

Os fundamentos do Thrash Metal, como tudo que circunda a verdadeira cena, são tão familiares e recorrentes para os metallers quanto vibratos desconcertantes. Mas estão tão a frente como sonoridade que, quando observamos a fauna & flora das bandas atuais (afeminadas, mimadas, super-produzidas), permanecem abrasivos, fatais como plutônio. Queimam sem piedade!

Irei resenhá-los aos poucos, sem pressa (jamais fazendo uma crítica faixa a faixa, que considero chata para quem lê e sinônimo de cultura rasa para o escriba). Até o instante da chegada dos mesmos, permaneciam como discos importados, caros e, devido a ladeira abaixo do mundo digital, também disponíveis on line gratuitamente para os morosos “metaleiros” de fim de semana.

Se você, leitor desavisado, busca novas sonoridades, esqueça Heavy Metal, pare de ler a Coluna RIFF. Você será a mosquinha morta depois do próximo ‘veraneio’ musical!

Prato do dia: Ramming Speed.

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Disco: Brainwreck

Lançamento: 2008

Formato: CD digipack (importado)

Ramming Speed

Ricky Zampa (guitarra)

Kallen Bliss (guitarra)

Pete Gallagher (vocais)

Derek Cloonam (baixo)

Jonah Livingston (bateria)

Junte seus amigos, tire os móveis da sala e realize uma roda de pogo ao som de Brainwreck. Aqui está um pouquinho de English Dogs, DRI, Anthrax (fase mais crossover) e todos os momentos mais inspirados destes. Vocal perfeito, bem direto, gritado com competência, sem afetações ou pedaleiras. Muito, muito, muito old school way crossover!

Comprei o CD diretamente da banda e voltei no tempo para meados de 1985 quando li um ‘thank you’ assinado pelo baterista (no cartaz da gravadora). Alguma banda gringa ainda faz isso? Fiquei surpreso.

O Ramming Speed é peça obrigatória para qualquer brasileiro que pensa fazer punk rock/grindcore Metal ou acha que já o faz com alguma competência! Vai destruir suas esperanças, seu otário! Você irá sentir-se um miserável músico. Treze faixas cruciais, tão descompromissadas que são pré-requisitos ao fã de música pesada. Escute mais atentamente All In All (que variações, que vocalzão!) & The Threat (maligna, rápida).

Energético, furioso, bom de ouvir, ótimo senso de humor. Revigorante como uma golada na sua cerveja predileta num dia de calor!

Minha maior surpresa recente.

Faixas:

01 – Speed Trials

02 – The Threat

03 – Lazer Assault

04 – All In All

05 – Shane Embury Is The Brad Pitt Of Grindcore

06 – Bogus Facade

07 – Sound The Alarm

08 – Immigrant Song

09 – Political Party

10 – Man Vs. Machine

11 – Arrested Development

12 – A Modern Myth

13 – Heavy Metal Thunder

http://www.myspace.com/officialrammingspeed

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

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Coluna: RIFF – Animal Fest 2009

8/09/2009 por Bruno Bruce

Coluna: RIFF – Animal Fest 2009

Por Bruno Bruce*

ANIMAL FEST

FUNERATUS (SP)
DEMONIZED LEGION(PB)
ATAQUE VIOLENTO (PB)
RISING WAR
NIGHTHUNTER
THUNDER STEEL
FULLSION

Em 06 de setembro de 2009

North Casa Show – Zona Norte Natal/RN

Comunidade dedicada ao festival Animal Fest, em comemoração do aniversário de Cláudio ‘Animal’, baterista mais sexy da zona norte!”

Se você entrar na comunidade Orkut do Animal Fest lerá este inusitado texto acima mas é a absoluta verdade. O que era um aniversário com vários bangers bêbados virou uma festa de bêbados com muitos headbangers! E como cresceu. Estive em 2 edições anteriores (ambas no teatro Rino Dantas), constatando o poder metálico da Zona Norte de Natal. Dois apaixonados pelo Metal – Sérgio Deluge & Cláudio Animal – são as cabeças pensantes responsáveis pela festa, sendo que este último casou, mudou de cidade, deixando a responsabilidade nas mãos de Sérgio.

Incrível! Em todos os 3 eventos que fui sempre havia uma criatura na frente da entrada, no chão, desmaiada. Nunca esqueci quando tive que abrir passagem para dois homens que carregavam uma desacordada garota, vítima de uns drinques a mais, digamos assim! Desta feita um corpo jazia na calçada do Animal Fest, vomitado, aguardando minha chegada e meu clique.

Perdi a primeira banda (Fullsion) porque, convenhamos, assistir show às 13h00, no sol…não obrigado. Mas a North Casa Show foi um verdadeiro avanço como espaço. Cabem 2.000 pessoas contra as 400 (máximo) da fornalha denominada teatro Rino Dantas, criando a ilusão de pouca platéia. Como de costume, os produtores de shows subestimaram a capacidade de sorver álcool dos headbangers, não providenciando cerveja suficiente no bar ou fazendo chegar quente nas nossas mãos; o que dá na mesma.

Sou um entusiasta do Thrash Metal – melhor vertente do gênero – e sempre o Nighthunter cumpre sua função de entregar um Thrash bem feito. Infelizmente tiveram seu show prejudicado pela sonorização falhando e mal equalizada. Problema solucionado na terceira banda. Novamente cito o guitarrista solo como melhor instrumentista do grupo e deixou isso claro no cover Power Thrashing Death (Whiplash).

Vi um Thunder Steel mais maduro no palco e lembrei do que uma amigo disse na hora: “Gravar em estúdio lhe confere uma maturidade e uma qualidade maior”. Só pode ser. Na batalha pela divulgação do CD-demo o grupo estava afiado como nunca, bastante inspirado. O que estragou um pouquinho foram stage divers que demoravam minutos para pular do palco, atrapalhando a performance. Se eu fosse integrante do Thunder, estaria munido de um cinto. Quem demorasse a concluir o stage levaria uma bordoada nas costas para apressar o salto.

Não sei quem foram os responsáveis mas parabéns pela rápida alternância das bandas. Foram os roadies mais velozes que vi recentemente!

Noite chegando, entra no palco o Demonized Legion que realiza um Death Metal que não me agrada. Acho burocrático & monocórdico. Não é meu estilo. A platéia demora umas 2 faixas para começar a responder.

Saio sem assistir Ataque Violento, Rising War e o paulista Funeratus, a atração principal. Estou velho, cansado e meu salário não foi pago pelo Portal RockPotiguar.

O Animal Fest é a maior congregação headbanger da Zona Norte de Natal, merecendo nosso respeito & presença.

À esquerda, Sérgio Deluge.

Orkut do ANIMAL FEST

*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.

Postado em Coluna: RIFF | 3 Comentários »

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