ENTREVISTA – PAULÃO, VOCALISTA DAS VELHAS VIRGENS
Por Rodrigo Cruz
rodrigorock84@yahoo.com.br

Uma das bandas independentes brasileiras de maior sucesso, com mais de 150 mil discos vendidos, há nove anos sem vir a Natal e com um disco novo no mercado. Com todos esses elementos a favor, a banda das Velhas Virgens promete fazer uma grande celebração com fãs de todo o Nordeste que irão invadir Natal nesta sexta, 22.
Conversei com Paulão, vocalista e fundador do grupo mais irreverente do Brasil, através de alguns e-mails. Falamos sobre o começo da banda, mudança de sonoridade, lembranças da última vinda a Natal e a expectativa dessa nova apresentação.
A BANDA ESTÁ PRESTES A COMPLETAR 24 ANOS. A SONORIDADE E TEMÁTICAS “ALCOÓLICA-SEXUAIS” ACOMPANHAM O GRUPO DESDE O INÍCIO?
No início tinha uma parte boêmia e outra lírica. Uma coisa meio Legião Urbana de um lado e Camisa de Vênus do outro. Apesar do primeiro disco da Legião Urbana ter mudado minha vida, venceu a crueza do Camisa de Vênus, como é fácil perceber!
COMO FOI O FIM DOS ANOS 80 PARA UM GRUPO DE ROCK-BLUES, NO MEIO DO BOOM DO ROCK NACIONAL?
A gente pegou a onda já baixando. Algumas bandas estavam estouradas como RPM e as gravadoras vomitavam tudo que é tranqueira no mercado. Além do mais, só conseguimos ter consistência realmente a partir de 90, quando eu assumi os vocais e o som virou rock’n'roll mesmo, com temáticas definitivamente mundanas.
JÁ HOUVE ALGUM INTERESSE DE UMA GRANDE GRAVADORA PELAS VELHAS VIRGENS? SE SIM, COMO ACONTECEU.
A verdade é que não. Uma vez, durante um especial ao vivo da Transamérica, junto com o Maria do Relento, falei com o Miranda, que era o responsável pelo selo dos Titãs, na época: “Pô Miranda, coloca a gente aí”. Ele respondeu que éramos muito difíceis de manipular, o que eu achei um tremendo elogio. Manipula-se remédio e “laranja”. Músico de verdade, não!
AO LONGO DA CARREIRA, HOUVE MUDANÇAS NA FORMAÇÃO DA BANDA. ELAS FORAM NATURAIS?
Sim, o que não quer dizer que não deixaram cicatrizes. Algumas pessoas deixaram uma pseudo-ilusão de sucesso subir à cabeça. Teve quem intensificou o contato com substâncias mais fortes e perdeu o controle. Teve quem quis fazer outra coisa, tocar outros sons. Teve quem desapareceu sem dizer tchau. Teve quem traiu nossa confiança. Teve de tudo. Pra mim é tudo natural. Coisas da vida e a gente não sabe se vai ou se fica!
AS VELHAS VIRGENS NÃO TOCAM EM NATAL HÁ 9 ANOS. VOCÊ LEMBRA DE DETALHES INTERESSANTES DESSA ÚLTIMA PASSAGEM, OU A MEMÓRIA DE BÊBADO NÃO AJUDA?
Puta que pariu, lembro de várias coisas. Foram dois shows, um num sábado e outro na sexta seguinte. A banda toda ficou em Natal, exceto eu que tinha trampo em Sampa e voltei depois do primeiro show (passagens pagas do meu bolso, diga-se se passagem). Lembro de ter chegado na sexta feira e durante a viagem (que foi um pinga pinga de seis horas) bati meu recorde de brejas a bordo, umas oito latinhas no avião (beberia mais, mas eles não servem nas decolagens e pousos). Me levaram pro local do show, que era ao lado do porto, mas nem percebi os gigantescos navios atracados, pois estava bebaço. Só vi o porto no dia seguinte. Durante a semana, enquanto voltei pra Sampa cheio de inveja da semana de férias em Natal da banda, soube que eles passaram alguns perrengues. O primeiro show, que pagaria as despesas da estada durante a semana, não deu grana suficiente e eles tiveram que ficar de favor na casa de alguém. Se o show não pagou as despesas, também não forneceu nosso cachê e a galera passou a semana na “Ridinha”(?) bebendo Pitú e jogando bilhar por poucos centavos, que era o que eles tinham no bolso. Como a possibilidade de haver pouco público no segundo show era grande, a banda foi panfletar nos faróis da cidade. Longe de casa, sem grana pra beber e comer, a coisa ficou feia. Mas mesmo assim, valeu a pena. Será um prazer voltar. Quem sabe desta vez consigo conhecer Ponta Negra! Sandro Fortunato, jornalista que nos levou nesta primeira investida em terras potiguares, tornou-se bom amigo e falamos sempre.

VOCÊS EMPLACARAM DEZENAS DE SUCESSOS E AGORA ESTÃO COM UM NOVO TRABALHO, “NINGUÉM BEIJA COMO AS LÉSBICAS”. O SHOW SERÁ BASEADO NESSE RECENTE DISCO, MAS O PÚBLICO PODE ESPERAR AS CANÇÕES CLÁSSICAS?
Tamos tocando cerca de 9 canções do novo CD e outras 9 ou 10 dos CDs antigos. Mas sempre dá pra atender pedido. Mas aposto que a galera só vai pensar nisso quando o show acabar, pois o repertório está envolvente, a galera tá afiada e vamos botar pra fuder. Estamos muito orgulhosos deste novo CD que revitalizou nosso tesão pela estrada.
PARTE DAS LETRAS DAS VELHAS VIRGENS TÊM UM CUNHO, DIGAMOS, “MACHISTA”, PORÉM, AS MULHERES COSTUMAM APARECER EM BOM NÚMERO NOS SHOWS. É SINAL DE QUE TUDO É LEVADO NA ESPORTIVA, NÉ?
As mulheres têm mais bom humor e são mais inteligentes que a maioria pensa. Elas têm filhos, marido, pai, irmão e sabem que o que estamos dizendo é a verdade, pelo menos do ponto de vista masculino. Além do mais, muitas mulheres ainda gostam de homens e isso também tem no nosso show, todos animados pelo clima de orgia que a gente produz. Sexo é o nome do jogo. E dá pra jogar de vários modos, inclusive heterosexualmente!
A INTERNET MAIS AJUDA OU ATRAPALHA O SUCESSO DAS VELHAS?
Ajudou e ajuda muito. É nossa janela para falar com os fãs. Não tenho nenhuma dúvida que nossa independência está calcada em duas coisas: no contato pessoal com os fãs nos shows e no relacionamento diário via internet. Só assim podemos prescindir de TVs jabazeiras e rádios corruptas que cobram pra tocar som. Neste momento temos 4 canções do próximo lançamento, o Carnavelhas II, à disposição para serem baixadas no nosso site (www.velhasvirgens.com.br)
COMO ANDA A CENA INDEPENDENTE EM SÃO PAULO? ALGUMA BANDA QUE VOCÊ PODE E DEVE INDICAR?
Hum. A cena independente está forte em toda parte. A vida inteligente na música está na independência. Não tenho saído muito pra ver as novidades. A maioria das bandas pseudo-novas já tem mais de dez anos lutando. Em Sampa, gosto do rock’a'billy do Crazy Legs, gosto dos Búlticos, do ABC, gosto do Saco de Ratos (banda do meu amigo e dramaturgo Mario Bortolotto)… tem mais mas não to lembrando agora.
VOCÊ CONHECE ALGUMA COISA DA CENA ROQUEIRA NATALENSE? O QUÊ?
Não. Espero me surpreender positivamente. Espero que ninguém aí chame technobrega de música!

SE TIVESSE QUE ESCOLHER APENAS UM, O QUE ESCOLHERIA: CERVEJA, ROCK, MULHER OU CORINTHIANS?
Puta que pariu. Impossível viver sem qualquer um deles. Mas em ano de centenário, não me resta alternativa: Corinthians!
QUAL SUA EXPECTATIVA DA VOLTA A NATAL?
Pois é. Tá parecendo tour de banda gringa, eh,eh,eh! Acabei de falar com uma galera de Recife no twitter (@paulaovv). Tamos nas nuvens pela iminente acolhida de Natal e dos invasores.. Somos cachorros de rua e não tamos acostumados com tanto carinho. Vamos ficar devendo cerveja pra todo mundo.
ESPERAMOS TODOS VOCÊS MUITO BÊBADOS NESSA GRANDE CELEBRAÇÃO ROQUEIRA. YEAHHHH!!!!!!
Pode cobrar que vai ser um puta show. É como transar com mulher nova: às vezes, no início, precisa acertar o encaixe, mas depois vai que é uma beleza!