Coluna VERTEBRAL: Apenas mais um desabafo de um músico fracassado

28/06/2010 por RockPotiguar

Apenas mais um desabafo de um músico fracassado

Por Rodrigo Cruz*

Faz tempo que eu não apareço por aqui na COLUNA VERTEBRAL, né? É a vida. Pois bem, voltei aqui, depois de 5 meses (depois de uma entrevista concedida ao Jornal de Hoje, onde praticamente vou colar aqui) para falar de um assunto que me entristece muito: bandas pouco compromissadas. É triste e desmotivante ver que esse número é cada vez maior, sobrando poucas bandas e artistas realmente envolvidos com o bem-estar coletivo musical, e que se importem mesmo com seus próprios projetos. Isso tudo pode fazer com que festivais se enfraqueçam, públicos sumam e casas de shows fechem suas portas.

Pela minha posição de produtor, tenho a felicidade de receber uma boa quantia de materiais de bandas de todos os lugares, seja ela por correio ou por internet, e isso fazem anos. Já fechei contrato com bandas através de material virtual (Defakto/SP), material físico (Kohbaia/CE) e por show (AK47/RN), sempre através de algo que chame atenção. Mas isso está ficando cada vez mais difícil. Essa semana recebi muito material via e-mail, devido ao RockPotiguar Festival, e vou destacar alguns deles (sem citar os nomes dos santos, claro). Um deles veio “sem assunto”. Como vou identificar a banda quando arquivar o material? Pedi que fizesse parte do material release e uma foto em alta resolução (junto com uma boa gravação, é o mínimo que uma banda séria tem que ter). Uma das bandas me enviou um parágrafo totalmente vazio de conteúdo, com o título de “release”. Banda com “release” de um parágrafo deve ter mesmo muita coisa pra contar, hein? Eu, como leitor ou como jornalista, não iria me interessar por isso. Outro fato engraçado: um grupo me enviou um link de uma matéria que escreveram sobre ele, no lugar do release, alegando que “somos muito relaxados”. Deu vontade de chorar. As fotos são motivo de risada também. É foto na cozinha de casa, na garagem com calcinha pendurada, foto de show toda tremida. E ainda teve gente que mandou link, com preguiça de anexar a porra da foto.

Hoje em dia o legal é a internet. Ninguém pode negar que é uma fortíssima ferramenta de angariação de público consumidor para qualquer que seja o seu ramo. Podemos utilizar Orkut, Twitter, Youtube, FaceBook, MySpace, Purevolume e o caralho a quatro que a imaginação mandar. O seu produto (no caso a música) chega com mais facilidade aonde nunca chegaria sem essa facilidade internética, facilitando assim o intercâmbio físico para lugares antes impensado. Acontece que até isso as bandas, de maneira geral, deixaram de fazer, se acomodando mais uma vez. O que adianta você ter mil amigos no Orkut, uma comunidade com 1500 membros, 3000 seguidores no Twitter, 30 mil amigos no MySpace e 10000 mil views no Youtube se essas pessoas não vão a seus shows? E não vão sabe por que? Adivinhou… desinteresse das bandas de divulgar sua agenda de maneira quente, como poucas ainda fazem (e, por isso, se destacam). Com isso, poucos eventos legais vão sobrar, poucos produtores vão se arriscar a trabalhar, poucas casas de show irão funcionar e a sua banda vai ficar fadada a ser enterrada e ir direto pra o inferno, por que você procurou isso.

Nesse sábado o rock independente perdeu uma das suas referências musicais, o Hey Ho, em Fortaleza. Motivo: falta de público. Quem perde com isso? A pequena parcela da população que prestigiava e… novamente elas, as BANDAS. Nesse caso, elas são apenas uma pequena parcela dos culpados, por serem chamados pra os shows e “a casa que se foda pra atrair público”. E agora, mané, onde você vai tocar? Tá, o público interessado poderia aparecer sabendo da programação, a imprensa poderia dar um maior apoio, o governo, incentivos e tal, mas estamos falando especificamente das BANDAS. E se o Dosol fechasse? Você ia se ferrar, né?

Fica um conselho às bandas: se realmente querem levar a sério o ofício MÚSICA, respeite-a. Grave um bom material, faça uma boa sessão fotográfica, escreva um bom release (peça pra alguém que saiba português revisar) e FAÇA SEU PÚBLICO SAIR DE TRÁS DO COMPUTADOR. Você é o único que pode fazer isso, afinal, o público é seu (não se sabe até quando, mas por ora é). Não estou querendo aqui, de maneira alguma, denegrir a imagem de alguém, e sim dar um tapa na cara (carinhosamente falando) para algumas bandas abrirem os olhos e depois não ficarem se perguntando por que, depois de tanto “ralar” continuam tocando nos mesmos lugares de sempre e não deixaram de ser medíocres.

Prometo voltar aqui com mais frequência, fazendo da COLUNA VERTEBRAL (quase) tão ativa quanto a RIFF. Os próximos assuntos abordados podem ser algo básico: “Como enviar material para festivais”, “Cartilha do independente”, “Circulação” ou coisas do tipo.

Ah, antes que eu esqueça: eu tive várias bandas, e vez ou outra apareço por aí nos palcos. Todas elas fracassaram e vão continuar fracassando. Sabe por que? Por que não sigo nada disso que citei nesse texto quando envolvido musicalmente. A escolha é sua. Esse é apenas um desabafo de um pobre músico fracassado.

*Rodrigo Cruz é produtor cultural e artístico, jornalista, editor deste site e estudante de Publicidade (sempre que sobra tempo). Acha que produzir bandas tem futuro, e sempre se fode por causa disso.

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Coluna Vertebral – A Prefeita de Natal me bloqueou no Twitter

29/01/2010 por RockPotiguar

Coluna Vertebral – A Prefeita de Natal me bloqueou no Twitter

Por Rodrigo Cruz*

http://uoleo.files.wordpress.com/2009/06/micarla.jpg

Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010. Eu, Rodrigo Cruz, produtor cultural, envio algumas mensagens via Twitter para a prefeita da nossa cidade, Micarla de Sousa. Nelas, continham dúvidas e fatos que eu, como atuante na cultura, não aceito, como o fato de que alguns dos cargos mais altos da Funcarte ser designado a amigos pessoais e ex-funcionários da TV Ponta Negra (da qual Micarla é proprietária). Tudo perguntado sem ofensas, com cavalheirismo, mas sem ser “besta”. Acontece que, além de não obter resposta alguma, fui bloqueado, para não mais poder acompanhar o que ela escreve no site. Contra fatos não há argumentos e nossa gestora maior resolveu me privar do direito de explicações, de uma forma grosseira e pouco educada.

Sou um produtor atuante em Natal e no Rio Grande do Norte, sempre acompanhando as políticas públicas, as diretrizes e soluções tomadas para a cultura natalense e potiguar, e realmente não entendo o porque que a cultura natalense, a Funcarte, está sendo levada na “maciota”, com pessoas que nada entendem e tenham a ver com arte. Não tenho nada contra o Presidente da Funcarte, SR. Rodrigues Neto nem contra o diretor de projetos e eventos, SR. Amaury Júnior. Sou contra apenas que exerçam funções que não são preparados e formados.

O presidente, não tenho dúvidas, é um excelente administrador e mostrou isso nos anos à frente da Rede Ponta Negra de Comunicação, mas não sabe o que está se passando no dia-a-dia de milhares de produtores e artistas, e das brigas enfrentadas. O diretor de eventos e projetos, me perdoe, mas não sabe nem o que significa a palavra “cultura”. Se algum dia ele fez algum evento eu não tenho conhecimento, mas isso não o credencia a fazer cultura. A Funcarte precisa de pessoas que chorem e que riam pela cultura. Que tenha as mãos manchadas de sangue da luta para fazer a ” coisa” acontecer. Que se emocione por cada pequena vitória, por cada centavo a mais no Fundo de Cultura, por cada verba liberada para editais, por cada projeto aprovado e pago! Que tenha esperança que não seja apenas mais uma gestão. Que creia que estamos no caminho certo.

Não vou entrar aqui em valores de cachês pagos a padres e/ou a artistas nacionais, em contraste ao pago a artistas da terra, nem no Festival de Verão ser cancelado, nem no Fundo de Cultura reduzidíssimo. Entro apenas em um assunto: Por que aceitamos tão facilmente a política de favores, de amizade, e não lutamos para que a política da competência e do conhecimento se sobressaia? Por que o político eleito nunca é o mesmo que estava pedindo voto? Não vou fazer política da boa vizinhança com ninguém “importante”, como muitos fazem, afinal, a gestão passa e eu continuarei lutando, firme e forte! Mas minha preferência é que as coisas mudem ainda nessa gestão.

Caríssima Prefeita Micarla de Sousa, a cultura natalense está em coma e nada é feito. Não temos pessoas competentes para mudar ou pelo menos tentar mudar isso, e a senhora não é acessível. Talvez você não esteja nem aí para a cultura, pois artistas, jornalistas, universitários e intelectuais “não elegem ninguém”, pois são a minoria. Mas me bloquear por que fiz colocações como “Não tenho nada contra @micarladesousa , mas não entendo como enche-se de amigos na direção da FUNCARTE, a maioria incompetente.”.

Espero um dia (por que não ainda na gestão da senhora) ter o direito de discutir diretamente com a prefeitura e o governo sobre assuntos pertinentes, poder questionar, sem ter seu argumento castrado.

digao_perfil*Rodrigo Cruz é produtor cultural e artístico, editor deste site e estudante de Publicidade (sempre que sobra tempo). Acha que sabe cantar, por isso faz parte da banda Aurora Blues.

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Coluna Vertebral – Raulzito: 20 anos sem sua presença

21/08/2009 por RockPotiguar

Raulzito: 20 anos sem sua presença

Por Rodrigo Cruz*

Era 1992 quando eu fiz minha primeira apresentação artística. Foi no Jardim Escola Cirandinha e eu tinha 8 anos de idade. Eu, com blusa gola alta, óculos Ray-Ban e chapéu de cowboy interpretando o meu maior ídolo: Raulzito (e meu pai me acompanhando no violão)! Meu primeiro cachê: um saquinho de balas.

Quando Raul Seixas morreu eu tinha apenas cinco anos de idade e nem sabia o que danado era música, onde só descobrira dois anos depois. Meu pai, comerciante e tocador de violão nas horas vagas, tem boa parte de culpa na minha formação musical, pois seu repertório, além de Raul tinha Zé Ramalho, Luiz Gonzaga, RPM, Ultraje a Rigor, Paralamas. Adorava tudo isso, mas Raul sempre me chamou mais atenção, sempre tive uma afinidade com o baiano (mesmo que toda essa afinidade viesse algum tempo depois de sua morte).

http://www.tvrock.com.br/new/imagens/img_5329_017raul%20seixas.jpg

Raul sempre foi e dificilmente perderá o trono de maior roqueiro do Brasil. Um cara com idéias revolucionárias que, mesmo sendo teoricamente impossíveis, se agarrava na pequena possibilidade. Para a maioria era loucura, pra mim, visão.

Eu visitando Raul

A Sociedade Alternativa (inspirada em teorias de Aleister Crowley) não vingou, mas a idéia continua plantada na mente de milhares de fãs desse ATOR brasileiro (‘sou tão bom ator que finjo ser cantor e compositor e todo mundo acredita”).

“A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal”, então “o sonho do careta é a realidade do maluco”.

Esse cara, o Maluco Beleza, Raulzito, Raul Seixas… foi inspirados por dois potiguares (Núbia Lafayette e Leno), dentre todas suas influências. Há 20 anos ele se foi, me privando de um de meus maiores sonhos, que era o de conhecê-lo.

digao_perfil*Rodrigo Cruz é produtor cultural, editor deste site e estudante de Publicidade (sempre que sobra tempo). Acha que sabe cantar, por isso faz parte da banda Aurora Blues.

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Coluna Vertebral – Carnatal ou CaosNatal?

26/07/2009 por RockPotiguar

Carnatal ou CaosNatal?

Por Rodrigo Cruz*

Willy é um cara animado e, como a maioria dos jovens, adora festa. Festa para beber, festa para conversar com os amigos, festa para bagunçar… enfim… festa! Forró, pagode, axé, rock, de tudo ele ouve. Mas no ano passado ele ficou entre a cruz e a espada: ir para o Carnatal ou para o CaosNatal?

O grande Willy estava ouvindo uma rádio pop da cidade em sua grande indecisão, mas ao mudar a frequência para uma emissora popular, decidiu:

- Rééééééé!!!! Eu vou é pro Carnatal!!! Uhuuuuuu! Mulheres bonitas, birita até o talo! Pegue!!! Vou comprar meu abadá é agora!

Os amigos mais próximos ainda insistiram para sua presença no festival paralelo roqueiro que acontecia no bairro da Ribeira. Sem chance. Willy já estava decidido a cair na folia em seu corredor e ruas próximas. Pretendia ‘ficar’ com o máximo de meninas possível para contar vantagem depois.

Até que chegou o dia de ir atrás do trio! Rua bonita, lugar iluminado, milhares de psssoas se divertindo! Aquilo era o paraíso em forma de festa – ele fez a escolha certa – e deixava nossa cidade mais alegre. Entre um gole e outro na sua garrafa de “Colonial”, sempre agarrava uma garota embriagada disposta a beijar mais um. Acabou a garrafa. Sem problemas, cervejas não faltavam na promoção “2 por R$ 3,00″. Cervejas se foram, garotas cada vez mais bêbadas saboreavam seu hálito cada vez mais forte.

Entre um gole na “gela” e um esfregado em outra moça, sempre tinha um empurra-empurra, uma briga, uma pessoa esfaqueada. Polícia acionada, ambulâncias com sirenes ligadas, pessoas jogadas no bueiro em decorrência do álcool sem ninguém pra socorrer, pois os amigos não estavam ali, e sim no “corredor da folia”.

Willy ainda se envolveu em uma briga. Já completamente tomado pelo álcool, burlou a segurança e entrou em outro bloco (?). Quando menos esperava, três grandalhões da segurança deram uma surra que o deixou ensopado de sangue. Era mais um bêbado jogado nos bueiros!

Quando conseguiu se levantar, ainda sob efeito do álcool, percebeu que tinha perdido os amigos e todo o seu dinheiro. Eles não ligavam, pois estavam todos na folia e nem sentiram sua falta. Ao meio de mais sirenes de polícia e ambulâncias (o som do axé já ficava só ao fundo), foi ao lugar onde estacionou o carro de sua mãe, que não tinha seguro. Não achou. O carro foi roubado.

Enquanto isso, no histórico e roqueiro bairro da Ribeira, o rock comia solto. Várias e excelentes bandas mandavam seus acordes para algumas centenas de pessoas. Estavam ali curtindo seu estilo favorito com verdadeiros amigos. Cerveja gelada, garotas bonitas (mas não vulgares), som perfeito! Nenhuma briga, nenhum esfaqueado, sem ambulâncias ou policiais, muito menos carros roubados, mulheres estupradas.

Willy agora sabe seu destino esse ano: trocará seu abadá caríssimo por uma senha de papel de poucos reais e que vai trazer bem mais alegria. O CaosNatal será seu destino.

digao_perfil*Rodrigo Cruz é produtor cultural, editor deste site e estudante de Publicidade (sempre que sobra tempo). Acha que sabe cantar, por isso faz parte da banda Aurora Blues.

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Coluna Vertebral – Rodrigo Cruz

24/09/2008 por RockPotiguar

Por Rodrigo Cruz

EmoDay

A galera do Nadaver.com criou o Dia do Emo, que é comemorado no dia 24 de setembro. Mais de 70 blogs aderiram a essa homenagem. E na minha coluna de hoje, vou deixar um teste que encontrei navegando no site da Buzz.Globo.com: Você é Emo? É só clicar na imagem do Emo…

Meu teste… bem… é…. pode crer!!! Aguma coisa deve ter dado errado, pois saiu como:

100% emo! Você não engana ninguém. É um tremendo Emo com certeza. E provavelmente vai abrir o berreiro por causa do resultado.What a Shame!

Isso tudo só por que gosto um pouco de rock britânico, acho que estou sempre certo e sou romântico, vê se pode!!!

EmoDay - clique e descubra se você é Emo!

EmoDay - clique e descubra se você é Emo!

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Coluna Vertebral – Rodrigo Cruz

20/08/2008 por RockPotiguar

Novamente na área mais um colunista que volta à ativa. Dessa vez com Rodrigo Cruz e a sua Coluna Vertebral.

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Trinta minutos

Estava ansioso há meses. Não comia, não dormia, não se divertia, não trabalhava… tudo à espera do grande dia. Anos de dedicação, anos abrindo mão de outras coisas que gostava para se preparar para os trinta minutos mais importantes da sua vida até então.

O dia chegou. Ele nem acreditava que aquele sonho iria se realizar. Só mais algumas horas e ele iria, sim, tornar-se realidade. Depois de mais uma noite em claro, levantou-se cedo para ter certeza de que tudo aquilo sairia como planejado. Os nervos estavam à flor da pele, pois já podia sentir o cheiro de que aquilo que chegava era real.

Finalmente. Aqueles trinta minutos eram apenas vinte e nove. Vinte e oito. Vinte e sete… não sentia-se dentro de si. Tudo era mágico, encantador. O que esperava durante todo esse tempo estava ali, sendo vivido naquele instante. Dois minutos… já estava chegando ao fim… um minuto… as noites sem dormir valeram a pena… um segundo… acabou!

Tudo o que tinha planejado aconteceu. Perfeito. Porém, não esperava que o seu certo era o errado para os outros. Mas era. O seu certo foi o errado. Tudo foi em vão. Uma metade de si entrou em conflito com a sua outra metade, afinal, o seu certo na verdade era o errado…

Tudo acabou, desmoronou. Mas só por enquanto, pois ele irá se levantar e perseguirá outros trinta minutos mais importantes da sua vida…

Por Rodrigo Cruz

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