Coluna: Metralhadora Giratória – CARTA ABERTA: SILÊNCIO NO DIA MUNDIAL DO ROCK EM NATAL

1/07/2010 por RockPotiguar

dia mundial
Foto: Grande público no Dia Mundial do Rock 2009 em Natal (Jomar Dantas)

Porque o Dosol não vai comemorar a data este ano

Julho é o período que se convencionou celebrar o rock e suas vertentes. Sempre no dia 13 deste mês a data do Dia Mundial do Rock é lembrada, celebrada e incensada graças ao LiveAid, Bob Geldof e outros amantes do estilo.

Já há três anos o Dosol vem promovendo a maior celebração da data em Natal misturando palestras, conhecimento, solidariedade e é claro, muita música. Ano passado foram mais de mil e quinhentas pessoas no evento solidário e gratuito (todas as edições foram gratuitas), gerando duas toneladas de alimento e colocando em ação dez bandas locais para um grande público. Sucesso de público, organização e mídia.

A prefeitura, através da Fundação Capitania das Artes, nos convidou para fazer uma parceria, já que uma das premissas das ações da Fundação é comemorar os dias que fazem parte da cultura da cidade: dia do artista plástico, dia do museu, dia da cultura popular, dias, dias, dias… Fomos de braços abertos. Cedemos nosso know-how e aceitamos realizar o evento em parceria com o poder público.

Eles cediam a estrutura necessária para o evento e nós ficávamos com a parte de casting, organização e assessoria de imprensa. Mandamos um orçamento prontamente aprovado pelos gestores (e muito mais baixo do que qualquer coisa do tipo que eles costumam fazer) e saímos felizes, certos de que estávamos tratando com gente séria e cumpridora de contratos. Tive o cuidado de perguntar ao departamento financeiro da Capitania das Artes em quanto tempo sairia o dinheiro para pagar os fornecedores, já que eu teria a responsabilidade de contratar e pagar a todos os envolvidos. Trinta dias foi o prazo estipulado para o pagamento.

Ligamos para os nossos parceiros, acertamos sonorização, cercamento, alugamos espaço adicional, segurança e modestamente fizemos uma GRANDE FESTA (veja o vídeo aqui). Agora começa a parte chata da história.

Entregamos toda a documentação de convênio com a prefeitura 20 dias antes do evento acontecer, incluindo nota fiscal com todas as nossas responsabilidades devidamente cumpridas. Realizamos o evento e esperamos dar o prazo do repasse da prefeitura. Passaram-se trintas dias, sessenta dias, noventa dias e estamos chegando agora a 365 dias sem o acerto que acordamos através de contrato.

Há uma lenda que diz que quem deve é quem tem muito dinheiro. Quem tem pouco dinheiro (ou nenhum) é que dá um jeito de sempre manter suas contas em dia com muito trabalho e dedicação. O Dosol não podia deixar os parceiros e fornecedores na mão e logicamente PAGOU TODOS OS ENVOLVIDOS COM VERBA PRÓPRIA, já que o repasse da prefeitura não foi feito, descapitalizando nosso combo de cultura e quebrando uma série de planejamentos e ações.

Já perdi as contas das vezes que ligamos, marcamos reuniões e nos envolvemos com a Capitania das Artes. O Dosol recentemente estava num grupo de estudo (voluntário) para reformar a Lei Djalma Maranhão. Temos muita simpatia pelas pessoas que lá estão, Rodrigues Neto e seu comando simpático, Gustavo Wanderley (que já saiu da vice-presidência) , entre outras figuras bacanas que lá estão.

Mas é inadmissível ver a assessoria da fundação cultural municipal inundar minha caixa de e-mail todos os dias com eventos novos e a prefeitura alegar que não ter “orçamento” para pagar uma dívida adquirida há um ano. Será que o povo que trabalhou no Auto de Natal, no Encontro de Escritores, ainda não recebeu? Será que o salário de Rodrigues Neto está atrasado? E o da nossa prefeita? Ela também tá na pindaíba? Duvido.

Então ficamos assim. Continuaremos cobrando. E não temos dinheiro para fazer a ação do Dia Mundial do Rock em 2010 graças ao calote que estamos levando da Capitania das Artes e da prefeitura. Seguimos nosso trabalho já bem acostumados com o funcionamento e o interesse que esse povo tem por cultura e cidadania.

Dizem que os chatos são atendidos primeiro. Nunca quisemos ser chatos e nem é do nosso interesse perder tempo com reclamismos. Mas agora é uma questão de honra e respeito que isso se resolva, não pelo dinheiro, mas pela dignidade que é sempre muito mais importante!

E quem sabe eles não pagam nessa pressão e voltamos atrás e realizamos mais um ano do evento? Ajude à gente e ao rock and roll espalhando esse texto.

Anderson Foca
Centro Cultural Dosol

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COLUNA: Metralhadora Giratória – Uma história com Renato Russo

23/09/2009 por RockPotiguar

Convidado pelo Portal RockPotiguar a “escrivinhar” algo sobre os anos que esteve com Renato Russo e a Legião Urbana (como músico e banda de apoio), Gian Fabra nos enviou um texto dele pouco conhecido, escrito em 2007. Saboreie lentamente esta maravilhosa história.

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Metralhadora Giratória – Uma história com Renato Russo

Por Gian Fabra*

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Nem todos que gostam da Legião Urbana sabem, mas eu toquei baixo nos shows da turnê do CD “Descobrimento do Brasil”. Porém, alguns fãs mais interessados na história da banda me (re)conhecem e muitos deles, quando me encontram, logo perguntam: Como era o Renato Russo? Bem, confesso que às vezes acho isso chato. Não que eu não entenda a curiosidade deles, mas por ser muito difícil responder a essa pergunta. Invariavelmente acabo decepcionando as pessoas com minhas respostas. É praticamente impossível falar sobre uma pessoa para alguém que quer ouvir a descrição de um mito. O Renato pra mim está bem distante do mito que a persona pública dele se tornou. Ele era um cara legal, divertido, mas também exigente com o trabalho. Às vezes tinha um jeito suburbano simples, às vezes era complexo. Uma enciclopédia ambulante quando o assunto era música ou cinema, suas paixões. Mas era uma pessoa, com seus defeitos e qualidades, que tinha suas inseguranças afetivas e medos como qualquer um de nós. Um cara com quem aprendi muito e com quem tive o privilégio e a honra de conviver. O Fred Nascimento, que tocava violão com a Legião e é meu companheiro no Tantra, certa vez o definiu muito bem com palavras mais ou menos assim. O Renato era um cara tão obsessivo com seu trabalho e sua busca pela perfeição que qualquer coisa que ele fizesse seria especial. Tipo, se ele fosse dono de uma padaria pode ter certeza que seria a melhor padaria da cidade. Era bem isso. É claro que meu convívio com ele me rendeu algumas histórias, mas como não pretendo escrever nenhum livro sobre o assunto – nem tenho tantas histórias assim – resolvi contar uma que acho interessante e mostra um pouco do gênio criativo do cara.

Num dos shows da turnê do Descobrimento, não lembro em qual cidade… às vezes tenho a impressão que foi em Belo Horizonte outras vezes acho que foi em São Paulo, de qualquer forma, naquele dia o Renato ligou para o meu quarto do hotel me convidando para almoçar com ele num restaurante ali perto. Eu fiquei meio na dúvida se aceitava porque queria tomar umas cervejas e a produção tinha nos recomendado que não ingeríssemos bebidas alcoólica perto dele, devido ao seu tratamento de dependência química. Como fui ficando sem desculpas – ele sabia ser bem persuasivo – acabei dizendo o real motivo e ele disse que eu podia relaxar e tomar minhas cervejinhas em paz. Ele prometeu que não ia contar para produção e lá fomos nós.

A comida estava boa, o dia estava agradável, um grande show nos esperava e ele estava muito engraçado. Estávamos conversando sobre nossos roteiristas de cinema preferidos quando ele me confessou que tinha escrito um roteiro baseado na letra de Faroeste Caboclo. Fiquei louco com aquilo e ele começou a descrever várias passagens. Supliquei que ele me deixasse fazer o papel de Santo Cristo no filme (com certeza foi o efeito das cervejas), mas ele foi enfático: Claro que não! Ficou doido!!! O João vai ser o Marcos Palmeira que é um gato. Ficamos rindo e deliberando sobre o casting do filme, infelizmente não lembro bem quem a gente escalou ali. Talvez o Chico Diaz para o papel de Jeremias e a Claudia Abreu para o de Maria Lúcia, sei lá… Mas lembro da descrição da cena final do filme. Minha memória pode me trair nos detalhes, mas era algo assim, e era brilhante.

A cena mostra a sala de um apartamento de classe média na zona sul do Rio de Janeiro onde se vê uma criança brincando no chão. Ao seu lado, uma babá que acompanha distraída a passeata dos ‘caras pintadas’ que passa ao vivo na televisão. Começa então um travelling da câmera. Ela fecha numa foto da cara do João de Santo Cristo num porta-retratos, depois começa a abrir, e se vê outros porta-retratos com fotos de Jeremias, Maria Lúcia e tal, dando a entender que aquele é o apartamento onde mora o filho de Jeremias com Maria Lúcia. A câmera vai abrindo até mostrar toda estante, depois a estante com a televisão, depois a sala com a criança e a babá. E continua abrindo o quadro até sair pela janela, nesse momento a criança vai até a janela, mas a câmera continua se afastando, a criança vai ficando cada vez menor e o quadro revelando outras janelas, depois o prédio inteiro, depois vários prédios e você já não consegue mais distinguir a criança no meio de tantos prédios. A câmera segue se afastando até mostrar um bom pedaço da cidade visto do alto. Então, ela gira fazendo uma panorâmica e começa a fechar em outro local, nos aproximando da visão de outro bairro, outras ruas, até mostrar a rua onde ocorre a manifestação dos ‘caras pintadas’. E continua fechando o campo de visão, mostrando vários adolescente gritando palavras de ordem, até chegar num ‘cara pintada’ em especial e continua fechando até chegar na camiseta dele onde está estampada uma foto da cara de João de Santo Cristo, a mesma foto que começara o travelling no porta-retrato do apartamento. Fim e os créditos começam a subir…

Não tenho certeza se ele realmente escreveu essa cena, ou apenas estávamos viajando naquele dia e ele inventou isso. Sei que, alguns anos depois, tive contato com um pessoal de cinema que me confirmou a existência de um roteiro sobre Faroeste Caboclo escrito pelo Renato. Também me revelaram que o mesmo fora recusado por diversos produtores sob a alegação de que sua filmagem era inviável (???), disseram que foram encomendados e escritos outros roteiros na tentativa de viabilizar o filme, mas o projeto não foi adiante. Desconheço as razões. Recentemente li que o filme pode sair, mas só depois de um filme biográfico sobre o Renato. De qualquer forma, tenho certeza que, algum dia, a saga de João ganhará as telas.

Voltando ao meu mundinho… Eu escolhi contar essa passagem em especial porque, certa vez, tive um insight com ela. Eu estava trabalhando, fazendo a produção num show do Biquini Cavadão. Tudo estava tranqüilo e comecei a observar o público se divertindo e tal. Notei que algumas pessoas vestiam camisetas com estampas da Legião e do Renato Russo. Fiquei olhando para uma em especial, um rapaz na primeira fila que trazia uma foto enorme do Renato que ocupava toda parte da frente camiseta. Estava absorto pensando na força que ele alcançou, que é impossível ir num show de rock em qualquer lugar do Brasil, mesmo hoje em dia, sem ver pelo menos um adolescente com uma camiseta da Legião ou do Renato. Foi quando tive o insight e junto me veio a lembrança da cena final que ele me contara. Meu Deus! Eu pensei. Será que era isso que ele queria? Virar uma imagem na camisa dos adolescentes? Era sim! Era sim! Cara! Ele conseguiu! E naquele momento exorcizei toda tristeza que ainda existia em mim pela perda do antigo companheiro. A tristeza das coisas que não foram feitas: letras, músicas, shows… Fiquei ali por uns instantes rindo sozinho com minhas memórias. E me senti muito bem. Apesar de tudo que ele passou, de tudo que ele sofreu na vida, ele atingiu seus objetivos mesmo depois da morte e, onde quer que ele esteja, sei que deve estar feliz.

*Gian Fabra é músico, letrista e produtor com um vasto currículo dentro do rock nacional. Entre as principais bandas com as quais já trabalhou estão: Legião Urbana, Leo Jaime, Lobão, Fausto Fawcett, Biquini Cavadão, Marcelo Bonfá (solo), Buana 4 e Tantra. Atualmente está lançando o cd ‘O fim da infância’ com Carmem Manfredini e Tantra [http://www.somlivre.com/?1638/produto/CD/O-fim-da-infancia/Carmem-Manfredini-e-Tantra] e escrevendo para o seu novo blog ‘A Dança das Palavras’ [www.gianfabra.blogspot.com]

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Metralhadora giratória: Chega de Mallu Magalhães!

27/11/2008 por RockPotiguar

Chega de Mallu Magalhães!

Por Regis Tadeu*, colunista do Yahoo! Brasil

É com uma enorme e indisfarçável sensação de prazer que dou início à minha participação aqui no Yahoo!. E quem me conhece sabe que meu negócio é escrever com sinceridade (algo que muitas vezes incomoda as pessoas), discutir com argumentos sólidos, sem cair na vala comum dos clichês emburrecedores e não ter receio de emitir minhas opiniões. Sim, eu sei que isso anda meio fora de moda neste País envolto pela névoa do bundamolismo, onde tudo é “genial”, onde fatos medíocres são transformados em notícias relevantes – o que interessa saber que um ex-BBB foi visto comendo um pastel de palmito na beira da praia? – e onde a tendência é pensar bem pequenininho para não desagradar a massa com baba elástica e bovina escprrendo pela boca (obrigado, Nelson Rodrigues!).

E para começar, nada melhor que abordar o desequilíbrio que existe hoje entre a relevância artística e a atenção dada pela mídia. E nada pode ser mais emblemático disso que a absurda e totalmente desproporcional paparicação em torno de uma menina que mal saiu de seus dezesseis anos. É, é ela mesma. Estou me referindo a Mallu Magalhães. São incontáveis os exemplos de babação de ovo explícita em cima de uma garota cujo grande atrativo está no fato de gostar de Johnny Cash e Neil Young quando deveria estar curtindo, sei lá, metal gótico cafona, emos chorões e discos empoeirados do Raul Seixas e Legião Urbana. Tudo aconteceu cedo demais a ela.

Tudo bem, ela tem lá seu carisma, mas suas apresentações emanam uma vibração meio amadora, de quem ainda tem muito chão pela frente antes de merecer a alcunha de “artista”. Seus shows – agora, no auge do hype, sempre lotados – não trazem uma platéia ávida por ouvir boas canções, algo que a menina ainda não tem, mas sim um bando de gente que quer fazer parte de uma “tchurma mudérna”, como se a visão de uma garota empunhando um violão em cima do palco fosse um passaporte para a modernidade. E de nada ajuda o fato de o cenário musical indie/pop/rock brazuca, salvo raras exceções, ser mais fraco que café de orfanato, com uma grande quantidade de cantores, cantoras e instrumentistas fraquíssimos, incensados por críticos surdos – para dizer o mínimo. Cadê o Cansei de Ser Sexxy? Cadê o Bonde do Role? Pois é, né?

Torço para que ela não seja vítima do imediatismo carniceiro, que exige que um artista estoure logo em seu primeiro trabalho. E olha que nem estou me referindo às gravadoras (instituições mais que falidas), mas ao próprio público em geral. A continuar do jeito que está, logo Mallu será convocada para dar suas opiniões a respeito do desmatamento da Amazônia, da reprise da novela Pantanal e sobre Caetano Veloso. E aí vai acontecer a “síndrome da superexposição”, doença que matou a carreira de muita gente np passado, que não soube escolher a hora de certa de sair dos holofotes vorazes da mídia, como Jorge Benjor e o Ultraje a Rigor. Sem contar o risco de ter uma adolescência equivocada, já que tudo o que ela faz se torna notícia.

Teve critico aí – leia-se “Lúcio Ribeiro” – que chegou a fazer estardalhaço em cima de um tal Overcoming Folk Trio (se não me falha a já carcomida memória), um projeto que reuniria Mallu, mais o vocalista Helio Flanders, do chatíssimo – e injustamente cultuado por meia dúzia de descerebrados – grupo Vanguart, mais o baixista do Forgotten Boys, como se fosse o marco zero do surgimento de um supergrupo! E tudo não passava apenas de uma brincadeira de três moleques tocando versões toscas de Bob Dylan, Neil Young e Tom Waits! Pô, faça-me o favor!

De certa forma, Mallu e seu pai/empresário tomaram atitudes pertinentes, como chamar o produtor Mario Caldato Jr. (que fez fama a partir de seu trabalho com os Beastie Boys) para dar uma lapidada nas canções bastante cruas da menina. Ainda não ouvi todas as faixas do disco, mas algumas delas trazem sim um avanço em relação às tosqueiras que ela vinha apresentando até então. Sim, ela está crescendo. E tomara que aí esteja o segredo do alto potencial pop de seu futuro. Você pode achar que sou um cara que nada contra a corrente, mas, por enquanto, ela é apenas uma menina exótica com um gosto musical acima da média.

Assistam a este vídeo – gravado em Brasília em abril – e me digam se ainda não falta muito arroz e feijão para esta menina fazer por merecer uma atenção racional e genuína…

* Regis Tadeu é editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Piano, e Studio, Diretor de redação da Editora HMP e costumava quebrar discos ruins no programa Superpop.

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Coluna: Metralhadora Giratória

20/08/2008 por RockPotiguar

Essa coluna já é tradicional aqui. Leitores e convidados escrevem o que der na telha. Leia as impressões da Yasmim Kyssyanne sobre o Mada que acabou de passar.

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Bandas, estrutura e críticos do Mada

Nesta última quinta, sexta e sábado (14, 15 e 16 de agosto), Natal sediou e recebeu mais uma vez as bandas do Festival de Música Independente MADA (Música Alimento da Alma). O Festival que esse ano teve completada a sua 10ª edição, trouxe como bandas principais “O Rappa”, “Pato Fu”, “Lobão”, e o carioca “Seu Jorge”, pela primeira vez na capital potiguar. Como já era de se esperar, todo ano, a opinião do público quanto às atrações, sempre se diverge entre satisfações e frustrações. Mas fato é que mesmo assim pode-se constatar cerca de, em média, 3 mil pessoas por dia na arena.

Parabéns à organização do evento pela estrutura, produção e ordem estabelecida. Não vi uma briga. O que vi foi um jogo de luz sensacional, no palco principal e demais partes que cabia tal capricho, uma gente empolgadíssima curtindo os muitos sons que rolavam tanto na tenda eletrônica, camarote e no palco principal. O espaço destinado ao consumo de bebidas e comidas também estava ótimo, com nada a desejar. Tinha de tudo. O que ajudou a esquentar as noites frias que fazia na praia.

Falando agora sobre as atrações escohidas pelo organizador e idealizador do Festival, Jomardo Jomas. Ele ousou e inovou trazendo atrações que surpreenderam o público e incomodaram alguns outros gerando argumentações e manifestações entre os críticos da cidade. Segundo estes, a presença de tais bandas como, a potiguar THE VOLTA, a carioca MACANJO, a paulista CURUMIN e a cantora paulista MALLU MAGALHÃES, descaracterizou e fugiu ao padrão do festival. Julgaram não combinar.

Mas eu cá vos pergunto, leitores, o MADA não seria um Festival de música independente? Pois bem, deveria então justamente mostrar e tocar o trabalho da galera desse cenário indie. Não concordam? De modo que não vejo nenhuma incoerência nem discrepância entre a participação dessas bandas citadas acima e o intuito e objetivo do evento, que é promover a música independente das gravadoras. É verdade que tais estéticas musicais que se fazem presentem nessas bandas, como o pop, eram até agora incomuns ao Festival, porém julgo não ter sido um erro do Jomardo ter trazido-as e aprovo as suas escolhas.

Música é música! Cada um que cuide de fazer e separar uma receita balanceada do que acreditam ser necessário e indispensável ao alimento de suas almas (e como temos almas deficientes e mal nutridas musicalmente nesses dias de hoje). São doentes de excesso ou de falta. Excessos esses que tornam as pessoas presas a um determinado estilo musical e preconceituosas a aceitar os outros demais.
Infelizmente em Natal ainda existe muita gente surda. E não falo de ouvidos físicos, humanos. Falo de gente que simplesmente não sabe ouvir música. Limitados, lamentavelmente, por não terem a sensibilidade de entender a arte, a mensagem e o mundo de sensações e reflexões que só a música em sua sublime essência é capaz de trasmitir.

Termino portanto a minha análise e revisão com um pedido. “Galera, não se limitem a certos padrões impostos pela mídia ou por alguns poucos babacas que pensam ser exímios entededores do assunto e donos da verdade. Não estou falando que você leitor, agora, deva gostar de tudo. Não. Cada um tem as suas preferências e particularidades, mas sugiro, indico, pelo menos experimentar. Prove, sinta, ouça, analise e tire disso uma conclusão.

Tente não ouvir estilos musicais, tente ouvir música! Liberte-se de ‘pré-conceitos’ esteriotipados que só assim você provará do tão especial e maravilhoso, gostoso, que é o prazer de entender uma boa música.

E tenho dito, abração.

Por Yasmim Kyssyanne

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