Entrevista: Fliperama (Natal – RN)
24/04/2009
por
RockPotiguar
Entrevista com a banda natalense Fliperama
Por Juliana Cortês
Há 4 anos a banda Fliperama espalha o punk rock bubblegum aqui em Natal. Durante este tempo eles tocaram em festivais, ganharam prêmios, divertiram a galera de outras cidades, gravaram dois CDs e estão prestes a gravar o terceiro. E, segundo o guitarrista Pedrinho e o baixista e vocalista Garrafinha, eles só estão começando! Confira.
RockPotiguar – Dia 17 de abril a banda completou 4 anos de vida. Me falem do início. Como a Fliperama nasceu?
Pedrinho: A banda surgiu num canal do MIRC, onde eu, Garrafinha (meu primo) e Hermano, começamos a conversar sobre rock (Ramones) e outras afinidades. Eu já havia tocado com Garrafinha em outra banda. E combinamos de marcar algo, tocar umas músicas… E foi assim que rolou a banda “Green Side” que era o esqueleto do que vinha a ser a Fliperama. A Green Side fez alguns ensaios, mas o nosso baterista não estava com tempo de tocar. E foi assim que conhecemos Douglas, também pelo MIRC; e, para completar a banda, chamamos Kaká (que também é minha prima). E a banda hoje é composta pelos três primos (eu, Kaká e Garrafinha), Douglas e Hermano.
Como se deu a escolha do estilo da banda?
Pedrinho: Tudo começou por causa dos Ramones. Apresentei o Carbona a Hermano, Garrafinha já conhecia a banda. E fomos sacando outras bandas do mesmo estilo. E fomos gostando daquilo. As primeiras composições foram no estilo e a gente resolveu seguir na mesma praia. A Fliperama surgiu meio que na brincadeira mesmo. Apenas pra tocar nos fins de semana mesmo. Então tocávamos o que mais gostávamos.
Quais são as maiores influências de vocês?
Garrafinha: Eu, Pedrinho e Hermano já gostávamos de Ramones há um bom tempo, mas depois que conhecemos o Carbona foi que descobrimos o punk rock bubblegum, ou pop punk como dizem os gringos. Mas nossas influências são, além de Carbona e Ramones, Magaivers, Havana 55, Os Pedrero, Screeching Weasel e The Queers.
A banda mudou de formação alguma vez? Como foi isso?
Pedrinho: A gente começou a banda em quinteto. Preparamos as músicas, fizemos nossas composições, organizamos nosso show. Mas Hermano teve que abandonar a banda por motivos pessoais. Com a saída de Hermano pensamos em parar a banda por um tempo, e tentar com um novo vocalista. Como tínhamos dois shows marcados, resolvemos arriscar com Garrafinha nos vocais. E isso foi bacana porque o resultado foi bem legal. Gostamos do vocal dele. E resolvemos tocar a banda só nós quatro mesmo. E assim foi por quase dois anos. Gravamos nosso primeiro CD assim. Com a formação em quarteto. Porém, Hermano continuava a acompanhar a banda. Dar dicas, contribuir. E, no final de 2007, resolvemos convidar Hermano para voltar a banda e dividir as vozes com Garrafinha. Hermano voltou, gravou o segundo CD conosco, o DVD, e é assim que a banda segue: como começou.
E como foi a repercussão da volta de Hermano a banda?
Pedrinho: Para a banda eu achei bem positivo. Gostamos muito dos vocais dele. Gostamos muito da participação dele no DVD. É um cara que acrescenta a banda. O público ficou, mas também gostou. Teve gente que de início achou estranho com novas vozes. Outros gostaram bastante. Isso é relativo. O importante é que a banda segue nessa formação. Agora no meio do ano estamos preparando a gravação do nosso terceiro CD.
Em 2006 vocês gravaram o primeiro CD (Quatro Pinos, Uma Jogada…) com Garrafinha no vocal. No início de 2008 vocês gravaram o segundo CD (Volta ao Mundo Numa Lambreta), já com Hermano cantando algumas faixas e Garrafinha outras. E agora se preparam para mais um. Fale um pouco sobre a produção desse novo CD. Será na mesma linha do segundo, com dois vocalistas?
Pedrinho: O terceiro CD vai seguir a mesma linha do segundo. Vão ser vocais alternados entre Garrafinha e Hermano e também outras novidades (risos). Estamos trabalhando bastante essas canções para fazer um disco bem marcado pela simplicidade nos arranjos.
Não dá para adiantar uma dessas novidades que está por vir?
Pedrinho: É tudo guardado a sete chaves. Mas o que posso adiantar é que o CD já está tomando forma com canções iradas. A ideia inicial é de não lançar um único CD. Mas como são 4 anos de banda, queremos lançar quatro EPs com três faixas cada, durante 4 meses. Um EP por mês, e no quinto mês lançarmos o CD completo com mais duas canções. Totalizando 14 músicas.
Já tem previsão de quando o primeiro EP será lançado?
Pedrinho: Queremos estar com tudo pronto até o final de junho. Para lançarmos em julho, depois agosto, setembro, outubro e novembro. E não para por aí. Também vamos gravar um vídeo release da banda e outras coisas.
Vocês têm popularidade aqui em Natal e em outras cidades. Isso é visível, por exemplo, em fóruns na Internet relacionados ao estilo bubblegum. Vocês imaginavam, há 4 anos, que teriam todo esse reconhecimento?
Garrafinha: Sinceramente não (risos). Mas a Internet nos ajudou bastante. Logo no nosso primeiro CD tivemos a ideia de disponibilizar todas as músicas no site Trama Virtual para a galera baixar, com isso começamos a notar que a galera foi conhecendo a banda. Ficamos como destaque em janeiro de 2007 na página do Trama Virtual. A galera começou a cantar nossas músicas nos shows. Na comunidade do Orkut começou a aparecer gente, e muita galera de banda de fora nos adicionaram no MSN para trocar idéias, e sempre quando alguém na Internet me adiciona em Orkut/MSN e diz que gosta do Fliperama fico com muito orgulho porque a galera está gostando da nossa proposta. Um dia desses mesmo vimos na comunidade bubblegum uma menina de Manaus dizendo que tinha conhecido a Fliperama em São Paulo, quando tava de férias por lá! Então, são essas coisas que a gente nunca imaginou… Éramos apenas cinco amigos querendo fazer rock chiclete sem nenhuma pretenção a mais (risos).
Pedrinho: Como eu disse no começo da entrevista, a Fliperama começou como brincadeira de fim de semana. A gente não esperava nem fazer shows. Mas as coisas foram rolando. Boas oportunidades foram surgindo. Divulgamos nosso material. E hoje em dia temos bons contatos. Como bubblegum é um estilo pouco divulgado no Brasil, a gente começou a procurar na Internet pessoas que gostassem do tipo de música. Pegamos contato com o pessoal do Bubblegum Attack, onde há essa troca de idéias. Tem a comunidade de bubblegum onde há essa interação com o pessoal que gosta do estilo. E tudo isso ajuda a divulgar nosso trabalho fora do RN.
Em 2006 vocês ganharam o Prêmio Rock Potiguar de banda revelação. O que essa vitória representou para vocês?
Garrafinha: Poxa! Ficamos muito felizes! Foi uma sensação de dever cumprido, porque éramos uma banda relativamente nova e que tava tocando um estilo novo de rock em nossa cidade. E como sempre demos o melhor da gente. Foi uma auto satisfação porque vimos que a galera votou e definiu a gente como melhor banda revelação de rock do RN de 2006. Particularmente, tenho muito orgulho por esse premio conquistado.
Como é o fã da Fliperama aqui em Natal? É aquele cara que curte somente bubblegum?
Pedrinho: (risos) Falar disso é complicado.Mas respondendo a pergunta, não. Não é o pessoal que curte somente bubblegum. Até porque aqui em natal pouca gente conhece e/ou gosta do estilo. Geralmente quem gosta de punk rock dá uma curtida na banda. E, como fazemos umas baladinhas, acho que esse é o publico. É o pessoal que gosta de um rock mais “leve”.
E alcoólatra, claro.
O que inspira a banda a compor as músicas? É o álcool?
Pedrinho: O álcool ajuda. Mas, é a paixão por carros, garotas e jogos. E também pelo gosto por músicas simples, com poucos acordes mesmo. Quem mais compõe na banda é o Hermano. E a inspiração dele ninguém sabe de onde vem. Talvez de um amor platônico. (risos) Mas, no geral, é isso. Melodias simples, sem “firulas”, e as letras são baseadas em coisas que gostamos. Carros, garotas, jogos e biritas.
Falem um pouco sobre as maiores dificuldades enfrentadas pela banda durante estes 4 anos.
Garrafinha: Nesses 4 anos vimos muita coisa, vimos bandas começarem e terminarem e outras ainda na instiga. As grandes dificuldades foram apoio cultural. Sempre tivemos que tirar do nosso bolso para gravar ou para viajar para fora do estado, e acaba se tornando pesado… mesmo que prazeroso. Em 2006/2007 apareceram bons convites pra tocarmos no sudeste, mas, infelizmente, não tínhamos como nos bancar e tivemos que adiar.
Pedrinho: O que a gente se propôs a fazer, a gente fez. Os problemas que também temos são assuntos pessoais. Como todos nós trabalhamos em empresas diferentes, fica difícil conciliar as férias de todos para tentar uma descida pelo sul e sudeste. Talvez o grande problema, não só para a gente, mas pra todas as bandas do RN, é o fato do nosso estado ser longe do eixo sul/sudeste.
E quais foram as maiores alegrias vividas pela banda durante este tempo?
Garrafinha: Poxa… foram tantas alegrias! (risos) Para a gente é sempre motivo de alegria tocar e ver a galera cantar nossas músicas, usar nossas camisetas. A gente ficou bastante feliz por ter ganhado todos os prêmios que concorria no Prêmio Rock Potiguar, além do prêmio revelação de rock da Quarta Cultural da Assembléia Legislativa de 2007. Da gente ter tocado duas vezes no Festival DoSol e aberto shows de bandas que somos fãs. Mas, a grande a alegria, é do espírito rock’n roll da banda se manter vivo até os dias de hoje.
Pedrinho: Acho que só em estarmos juntos há quatro anos já é uma coisa a se comemorar. Poucas bandas aqui no nosso estado duram esse tempo. E gravar material, ainda que hoje se tenha mais facilidade de gravar, é algo a se comemorar. E nós temos dois CDs lançados, temos um registro em DVD que foi o projeto Natal Rock Sessions; estamos prestes a lançar nosso terceiro álbum, e, para uma banda que pretendia apenas curtir no final de semana por brincadeira, é algo bem legal. Conhecer pessoas legais com quem dividimos experiências e amizades. Bandas que gostamos pra caramba e que dividimos palco com elas… Tudo isso são motivos de alegria. E uma alegria pessoal minha (Pedrinho) é dividir este projeto com quatro pessoas bacanas que são Garrafinha, Kaká, Hermano e Douglas.
O que vocês esperam para os próximos anos?
Garrafinha: A expectativa para os próximos anos é que, enquanto houver alguém que curta os três acordes grudentos que formam nosso som, estaremos sempre dispostos a tocar, viajar, lançar material bacana para o público, beber nossa cerveja antes e depois dos shows, brincar com os amigos e se divertir o máximo que pudermos e também divertir a todos com o que mais gostamos de fazer que é rock’n roll. Essas são as expectativas que eu acredito.
E, para finalizar, deixe um recado para quem está lendo esta entrevista.
Pedrinho: Apóiem as bandas locais, não só as de Natal, o interior também tem bandas boas. Natal tem muitas bandas massa, tem um cenário legal. Vá aos shows das bandas locais, baixem seus discos, ou comprem se for o caso. Ajude da forma que você puder. E principalmente, escutem RAMONES. (risos) No mais, é isso. Obrigado pela oportunidade de falar um pouco da banda. Um forte abraço a todos, paz, rock e boas vibes a todos.
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