E continua a mistura do balaio do MADA
Por Sandra Martins
Fotos: Thiago Tavares (thiagotavares_fotografo@hotmail.com)
Na segunda noite de festival, quem abre é a banda paraibana Nublado. Com músicas muito bacanas e bem arranjadas no MySpace, dava a impressão que o show ia ser mais agitado. A banda é boa, toca bem e em alguns momentos lembra muito Los Hermanos. Será uma forte influência deles? Enfim, Nublado tocou ainda para uma platéia tímida, mas que prestou atenção nas canções que abriram a noite. Destaque da banda: bateria e guitarra principal. Ótimos! Saindo do nordeste e aportando no Rio de Janeiro, chegam os Ganeshas. Que banda bacana! Animou o pessoal, mostrou uma música de muito boa qualidade e instrumentais bem executados. Não se deixe enganar pela calmaria do MySpace, eles são muito mais ao vivo do que se espera. Interagiram bem com o público, jogaram camisetas, deram autógrafos e saíram do palco com a impressão de dever cumprido (NOTA DA EDIÇÃO: Os cariocas deixaram parte da platéia apaixonada. Dava-se pra ver placas com os dizeres “Ganeshas, pega eu!”). O Rio continua mandando gente boa pro MADA.

Ganeshas (RJ)
Voltando ao nordeste, vem o Tricor, de Natal. Direto dos bares da moda de patricinhas e mauricinhos, eles decidiram deixar mais de lado os covers para investir num trabalho autoral. Corajosos, já que seria mais fácil seguir cantando músicas dos outros do que fazer seu próprio trabalho. E chegaram ao MADA com força de mostrar esse trabalho. E mostraram bem. O forte da banda ainda são os instrumentais, com a guitarra poderosa de Edu Gomez, um dos melhores aqui do estado. Fizeram uma boa apresentação. Depois da animada com o Tricor, chega Sonic Junior direto de Maceió/AL. Junior é o que chamamos de banda de um homem só, com a capacidade de animar a galera como ninguém. Com um trabalho que mistura música eletrônica com bateria totalmente humana e ritmada, o Sonic Junior fez um dos melhores shows da noite, colocando todo mundo pra dançar ao som que tinha pitadas até de música indiana. Muito boa apresentação, de verdade.

Tricor (RN)

Sonic Jr (AL)
Mudando completamente de estilo, chegam os Lenzi Brothers. Que show! Rock de verdade, visceral, rápido, bem feito. Rockão dos bons e um show maravilhoso. Numa hora dessas me pergunto por que não fazem mais bandas com esse rock poderoso e gostoso de ouvir. Apresentação com energia e feita com o mais puro rock and roll, baby. Sem duvida, uma das melhores da noite. Lembrei dos shows do Cachorro Grande, Autoramas, Faichecleres e Rock Rocket. Ah, o bom e velho rock! Saindo das guitarras, sobe ao palco o Copacabana Club. Os paranaenses fizeram outra ótima apresentação, que entra na lista de melhores da noite. Show animado, boas canções, bom instrumental e ótima presença de palco. Música pra dançar feita por pessoas e não por máquinas. Ganharam de vez o público que ao final, estava extasiado e acabado de tanto dançar. Com um público pra lá de animado, chega a Ana Cañas. Com um show redondinho e bacana, ela mostrou seu repertório e ainda covers. E deixou os fãs pulando de felicidade. Ela saiu do palco com a energia boa da galera.

Lenzi Brothers (SC)

Copacabana Club (PR)
Sai Ana Cañas e.. chama a Super Nanny! Pitty entra. Fãs completamente descontrolados e enlouquecidos quase colocam a grade de proteção abaixo quando a baiana que de axezeira não tem nada, sobe ao palco. Pitty é inteligente, tem letras muito bacanas, é profissional, faz apresentações muito boas, mas os fãs… Essa de quase derrubar grade é forte demais, alguém poderia sair ferido. Mas falemos de Pitty. Ela como sempre, fez um bom show e soltou todos os hits que foram gritados pelos fãs. Agradou com uma boa performance, que está evoluindo. Pitty hoje se solta muito mais no palco do que antes e mostra maturidade. E coragem por fazer algo que não é tão respeitado na Bahia. Ponto pra ela.

Pitty
O Nordeste é uma terra farta. Depois de Pitty, chega a Nação Zumbi e seus 15 anos de “Da lama ao caos” e de Recife para o mundo. O mangue beat mudou a música brasileira, inseriu ainda mais Pernambuco no cenário musical e nos presenteou com as belas canções do Chico e que foram continuadas com muita capacidade pela banda. O show contou com a participação de Otto, que energético, deu um gás a mais à apresentação. Não se engane pensando que show da Nação é tudo igual. Já vi vários (uns 4, por aí) e sempre são diferentes, seja num arranjo da música, seja em outro detalhe. A Nação consegue se reinventar e mostrar que realmente tem envergadura moral pra continuar e se firmar ainda mais como uma das melhores bandas do país, fazendo um som com identidade musical própria. Não poderia ter encerrado o MADA de melhor forma. Aí recorro ao velho clichê de fechar com chave de ouro um dos MADAs mais bacanas que fui, apesar de problemas com patrocínios e afins. Reitero que a qualidade das indies foi muito boa e aquelas que faziam um som insosso ficaram de fora, dando lugar realmente àquelas que são boas. O sábado foi a melhor noite, como já é de praxe do festival. Dessa vez, acho que a organização ficou satisfeita. Com um bom público, o MADA mostrou que ainda tem muito fôlego e muita coisa pra dar. Vida longa aos festivais potiguares!