Coluna: RIFF – Maracujás & Caixões
21/05/2009
por
Bruno Bruce
Por Bruno Bruce*
A visão de perto dos integrantes do Motorhead (Abril Pro Rock/2009) e do Iron Maiden chocou-me. Chega a assustar o rosto maracujá-de-gaveta de Lemmy! A tríade álcool/drogas/cigarros deixa lá suas marcas, claro, mas a idade desses malditos avançou sobremaneira, marcando com fundos sulcos suas faces. Neste mundo onde o padrão de beleza “malhado” e saudável serve de norte para as atuais gerações é reconfortante poder contar com ídolos visivelmente destruídos pelo tempo, mas há um limite difícil de explicar. Quando Kerry King (Slayer) começou a perder os cabelos e a ganhar peso parecia que viraria a imagem de seu tio velho bebum, habitué da cigarreira da esquina. O que King fez? Raspou o cabelo, engordou sem medo e seu corpo dá pra ser lido como um gibi tamanha a quantidade de tattoos. Essa é uma maneira certa de ficar velho numa banda de Metal!
Um amigo me emprestou um DVD pirata (nunca compro itens não-oficiais) de um festival europeu com grupos antigos & recentes. Lembro de assistir um Manilla Road obsoleto como ficha de telefone público. Integrantes originais gordos como leões marinhos e novatos de cabelos curtos, musculosos da maneira errada (com camisas apertadinhas e semblante saudável). A gordura ou a calvície só atrapalham numa banda de Metal quando ela não as assume do modo correto. Bandanas, bonés (ridículo, ainda mais com a aba virada para trás) são um modo errado para esconder uma cabeça sem cabelos, por exemplo.
Por essas e outras prefiro não assistir a nada atual de bandas que amava na minha adolescência mas que envelheceram do modo errado. É como ver um amigo morto, inchado e irreconhecível num caixão, após um acidente. Não, obrigado! Prefiro enterrá-lo com sua imagem jovial na minha memória. Talvez seja por isso que detesto revivals de bandas antigas, sumidas por anos, que reaparecem para assombrar-me como um live undead dos infernos. Fiquem em casa e reeditem seus álbuns em vinil (com faixas bônus, please!).
*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.
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8 Comentários »




julho 6, 2009 em 4:18 PM
[...] (da família Barbapapa). Gordo da maneira errada (leiam o que penso sobre gordos em bandas neste link). Vergonhoso, triste e desnecessário espetáculo. Bati as fotos obrigatórias e me mandei para o [...]
julho 7, 2009 em 12:26 PM
Porra,então quando você envelhecer vai ficar trancado em casa na cadeira de balanço e não fazer oque gosta só para lustrar a vista das pessoas?
haha,fure os olhos e se foda!
julho 7, 2009 em 3:43 PM
Rapaz, o tempo passa para todos. Ver nossos ídolos do passado ao vivo, mesmo já com idade avançada e com a força de gravidade e biológica tendo agido em seus corpos, é um delírio sem sombra de dúvida. O que importa é que todos continuam afinados, mais experientes, super-simpáticos – nos casos do Omen e do Motorhead em Recife – e tocando MARAVILHOSAMENTE COMO há 10, 15, 20 OU 30 ANOS ATRÁS. Eu escuto e me emociono com música. E têm mais: tomei muita cerveja com meus amigos e vi meus filhos de 18, 19 e 20 anos, todos Rockeiros, graças a DEus, delirar com outros rapazes da mesma idade e mais velhos – como eu -, gordos, magros, cabeludos ou carecas, em uma grande confraternização do Rock. Isso sim, valeu!!!!
julho 13, 2009 em 12:35 PM
Bruno Bruce, você está fantástico nesta coluna de moda.”Gordo da maneira errada, gordo da maneira certa. Musculoso da maneira errada, careca da maneira certa…” onde vamos parar com isso? Esquadrão da Moda? Parece aqueles personal styles esfusiantes, de programas sobre dica de moda. Continue assim, nos oferece belas gargalhadas. E o povo que nunca te viu gordo…e velho, infurecido baixando o cacete…bom demais, bom demais.
julho 16, 2009 em 8:39 PM
É fascinante observar as múltiplas possibilidades de devaneio interpretativo que um simples texto pode gerar. Como leitora compulsiva aprendi, com a prática, a “entender” o que leio. De Édipo Rei ao canal E! entertainment (eca!) é um mundo inteirinho… Seria trágico, se não fosse absolutamente cômico. Não há como não morrer de rir…
julho 21, 2009 em 9:46 AM
[...] de “renda”, de um passado glorioso, ainda lançando um escutável Thrash Metal, envelhecendo da maneira correta, como um dos sólidos pilares do [...]
janeiro 30, 2010 em 11:40 PM
[...] indiferença por bandas decadentes em comebacks dispensáveis. Há uma linha tênue separando o modo correto e o modo errado de voltar aos palcos. O Master leva o meu carimbo ‘modo correto’. A fadiga dos caras era [...]
janeiro 31, 2010 em 6:28 AM
[...] indiferença por bandas decadentes em comebacks dispensáveis. Há uma linha tênue separando o modo correto e o modo errado de voltar aos palcos. O Master leva o meu carimbo ‘modo correto’. A fadiga dos caras era [...]