Coluna: RIFF – E Agora Varg?
16/06/2009
por
Bruno Bruce
Quanto mais eu leio sobre a história do Burzum e de seu fundador mais percebo os motivos fúteis que levaram Varg Vikernes a cometer um homicídio. Não relatarei aqui a biografia deste moço, já extensamente escrutinada pela mídia especializada e pelas páginas policiais de periódicos estrangeiros. Todo headbanger que se preza conhece os fatos.
O homem foi solto (veja link no final deste texto)! Depois de 16 anos remoendo mágoas e, certamente, pensando o que poderia ter feito para não estar atrás das grades. O principal seria não ter matado Euronymous (nick name de Oystein Aarseth, antigo guitarrista do Mayhem) já que Varg fatalmente cometeria algo de mais sério que queimar igrejas seculares! O que o ex-detento relata e o que a justiça da Noruega levou em conta na hora de acusar-lhe são relatos diferentes mas o final é o mesmo: Oystein foi assassinado de modo frio, com uma faca incrustada na sua testa, quando estava dominado pelo oponente. Ponto! Se havia atenuantes (crime não-premeditado, auto-defesa, et cetera) não interessa. Se a justiça da Noruega usou de suas prerrogativas legais para endurecer por mais tempo sua reclusão, também não importa (receber indulto para visitar a família, não retornando na data combinada, sendo recapturado posteriormente com uma arma e um GPS atrapalhou um pouquinho suas apelações legais).
Seus textos escritos na prisão de Tromso são bastante extensos (talvez demais para o leitor mediano!) e intensos. Se diz injustiçado como banda-de-um-homem-só que é. Talvez. Terá agora a oportunidade de provar ao mundo o contrário. Terá talento para tanto? Talvez, também. Estará numa nova cena metálica mundial, bem diferente da época em que foi preso. Não há mais o hype black metaller dos anos 1990. O Black Metal chegou a um estágio de Metal sinfônico absurdamente bem produzido (Dimmu Borgir), raw made (Azaghal), cafona (Cradle Of Filth) e bem difícil de sobrepujar (Immortal, Behemoth). Achar sua trincheira será, pelo menos para mim, mero espectador da cena mundial, uma jornada maravilhosamente intrincada e capciosa.
Querer mudar o mundo, pelo menos o mundo onde ele estava inserido (dominado por uma religião que Vikernes considera alienígena à sua cultura), lhe rendeu uma estada forçada na prisão. Parte da sua vida foi perdida behind bars. Creio que ele errou no foco. A religião é apenas um braço menor de um domínio. Considero as multinacionais & os políticos nocivos numa via mais imediatista e permanente. Não devo condena-lo por completo. Muitas vezes quis queimar o que considerava ruim. Matar o que achava não merecer respirar. Fui, então, trabalhar, casar, ter filhos, construir uma vida. O tempo passou e ainda observo como ele estava errado no modus operandi. Tão redondamente errado que deu ao sistema a oportunidade de puni-lo exemplarmente!
Mas foi benéfico para a cena. Ele conseguiu, de um modo torto, a atenção que queria (é impossível não enxergar vaidade nas disputas com seus colegas de banda). Até hoje os headbangers destes blocos de gelo chamados países nórdicos (Dinamarca, Suécia e Noruega) são identificados como extremistas e, sei, sentem-se confortáveis com isso. A igreja, apesar da perda imensurável, não teme novos atentados. Euronymous foi assassinado ainda muito jovem, tornando-se instantaneamente uma lenda (embora eu acredite que ele preferiria morrer no anonimato e bem velhinho!). A polícia encontrou seu bode expiatório, enfim.
Resta saber: E agora Varg?
http://www.dagbladet.no/2009/05/22/nyheter/black_metal/varg_vikernes/6354526/
*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.
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1 Comentário »




agosto 16, 2009 em 7:13 PM
Independente de nosso presidiário favorito voltar a gravar ou não, seu legado já é incontestável. Embora os LPs do Burzum soem como se tivessem sido gravados num toca-fitas Bronksonic e Christian (nome de batismo mais do que apropriado de Varg) pareça engasgado com um caroço de cajá manga (estilo Dani Filth sem a produção), eu considero aqueles trabalhos mais do que emblemáticos de uma época. O Burzum homônimo, o Det Som Engang Var e o EP Hvis lyset tar oss são inesquecíveis tanto quanto qualquer disco do Bathory. Arrisco até a citar uma das mússicas: Ein Verlorener Vergessener Trauriger Geist, mais tarde, A Lost Forgotten Sad Spirit como uma das mais belas do Black Metal. Não há como apagar essa história, nem como retocá-la. Segundo ele mesmo, na prisão podia valer-se somente de um teclado para criar. Daí o Hlidskjalf (onde cada música tem como título o nome de uma divindade nórdica) e os que se seguiram serem tão folks. Espero que o folk side tenha parado por ali.