Coluna: RIFF – Meus Antigos Heróis (Rock Brigade)
15/07/2009
por
Bruno Bruce
Em algum mês de 1985:
Subi a rua correndo com a edição XVIII, ano IV da Rock Brigade na mão! A capa trazia Manowar e Anthrax, tratando-se do primeiro exemplar colorido (em azul e dourado) desse periódico nacional. Como o carteiro passava primeiro na minha casa, não agüentei. Corri até a residência de Marcus Slayer. Ofegante saquei o exemplar e: “Olha aí mermão! Tá colorida, com papel melhor, muitas fotos”. Foram umas 2 horas folheando, comentando, sonhando. Mas não foi meu primeiro número dessa revista que eu comprava através de vale-postal via Correios. Era um trabalhão! Aliás, qualquer aquisição metálica era uma verdadeira batalha. Passei muitos minutos da minha vida pendurado no telefone, esperando a boa vontade dos atendentes da Woodstock Discos (extinta loja de São Paulo, especializada em Heavy Metal) em me vender um vinil. Lia, relia, marcava as resenhas mais favoráveis & promissoras, pegava o telefone torcendo para poder comprar o que havia selecionado.

Durante muitos anos a Rock Brigade foi o guideline, o farol no fim do mundo, auxiliando-me em um universo realmente paralelo. Não podia contar com mais ninguém com a credibilidade certa para orientar-me nesse movimento insurgente absolutamente encantador. Meus únicos heróis nacionais foram os primeiros redatores da Rock Brigade. Talvez por isso, antes de tentar empunhar uma guitarra, peguei uma máquina de datilografar Olivetti (modelo Studio 44) e publiquei fanzines, escrevendo sozinho no meu quarto, sem aplausos, nem platéia, numa espécie de hipogeu desse movimento headbanger. Meus redatores favoritos transpunham para o papel a magia dos discos que eu ainda não podia ouvir. De certa maneira era uma situação angustiante. Eles felizes com os lançamentos de bandas descomunais e eu lendo sua resenhas e mendigando a atenção da única fonte disponível para me abastecer de vinis: a Woodstock. Droga!
Sim. Eu tinha um redator predileto: Berrah de Alencar. Considerava seu léxico acima da média da revista. Com críticas apinhadas de termos como “bateria de britadeira”, “baixo-trovão” a Rock Brigade não era nenhum celeiro de grandes escritores, mas quem se importava? O que eu ansiava estava ali, em português. O caminho das pedras. A crítica parcial (como somente um apaixonado pode fazer!) de headbangers que amavam Heavy Metal & lutavam por suas idéias.
Hoje é lugar-comum utilizar a Rock Brigade como paradigma de “traição”, de “vendidos”. Que seja! A melhor posição é a da oposição. Muito confortável, inclusive. É verdade que a revista parece haver mudado desde o fim da década de 1980. Eu mesmo deixei de compra-la há muito mas sua história mudou a minha história e a de vários headbangers que conheci.

(Mestre do Black Metal: Thomas G. Warrior – CELTIC FROST)
*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.
Postado em Coluna: RIFF |
3 Comentários »



julho 19, 2009 em 1:39 PM
Sim, sou um velho banger chato pra caralho e ainda assim bem menos que o Bruno Bruce, Me chame de louco, pois não me importo. O fato é que até os dias atuais costumo ler página a página edições da Brigade antiga, algumas delas com mais de 20 anos onde pude ao fim ter um poster dos Alemães do Destruction presenteado pela mesma e logo, moldurado para a parede de meu quart. É sempre novo pra mim. Mágica?
julho 26, 2009 em 9:12 PM
Eu e meu querido esposo, quase dois adoráveis pacientes geriátricos, lia-mos, antes da Brigade consolidar-se como o ícone das publicações de metal, a revista Metal que mais parecia a angustiante revista Caras, recheada de fotos e com textos mais curtos, a exemplo das publicações “farofa” americanas. Mesmo assim era um deleite para a incipiente head banger que eu era em 1987. A Brigade que há muito deixou de ser o bastião de outrora, já embalou muito os nossos sonhos metálicos de consumo. Seria mais ou menos como o gigante Celtic Frost – para mim uma das mais marcantes e melhores bandas que surgiram na terra (eu sei que é puro Black Sabbath, mas como diria Bruno: “da maneira correta”; com características próprias marcantes) – que depois de alguns discos inesquecíveis, virou aquela coisa maluca, que começou no Into the Pandemonium e não parou mais, até finalmente capitular. Nem por isso deixei de amar o Celtic e respeitar Tom Warrior…
setembro 9, 2009 em 5:52 PM
A revista Rock Brigade não foi somente uma referência para mim, foi também um vínculo de amizade eterna, pois no ano de 1987 eu ia visitar um amigo querido que trabalhava lá. Nos separamos devido a mudança de cidade e as atribuições do dia a dia e ontem fiquei sabendo que ele se foi, já faz um tempo, mas continuo lembrando como era bom ir até a revista e “sentir o cheiro de Rock” e jogar conversa fora com o meu querido amigo Eduardo Russomano. Se alguém possuir alguma revista com materias do Edú, por gentileza, entre em contato comigo que eu compro.