Coluna: RIFF – Meus Antigos Heróis (Destruction)
21/07/2009
por
Bruno Bruce
Nunca gostei de super-heróis, sejam dos quadrinhos ou do cinema (nos tempos atuais é a mesma merda. O cinema enlameia personagens originalmente obscuros & brutais, visando atingir uma faixa etária maior de adolescentes – ARGH! – e crianças). Quem lavava suas roupas? Por que a parte superior da calça do Incrível Hulk jamais rasga? E por que o Superman usa cuecas por cima das calças? Questionamentos sobre o seu cotidiano manchavam um possível brilho que eles pudessem exercer. Tudo me parecia muito intangível, distante. Mas tive meus ídolos e todos eles brandiam palavras de ódio, guerra, agressão. Bem, pelo menos os meus heróis na música sendo que nenhum deles foi mais querido por mim que a trindade do grupo Destruction: Schmier, Mike e Tommy. Eu os amava do único modo que um homem deve amar outro: com respeito & admiração! O Destruction era o meu alter-ego. Três alemães que desistiram de pentear os cabelos (transformados em imponentes jubas), recobertos de casacos de couro e jaquetas jeans, cintos de bala, esquálidos, altos (menos o guitarrista Mike). Você tem idéia de como isso é maravilhoso aos 16 anos? Foi quando recebi de presente o nascimento do Thrash Metal germânico na forma do vinil Infernal Overkill. Era 1985 e, amigos, eu não estava preparado! Numa viagem de meus pais a São Paulo obriguei-os a conhecer a Galeria do Rock (conglomerado imundo & mal-cuidado de lojistas de “róqui” naquela cidade de malditos). Levaram no bolso uma listagem de uns 10 vinis que eu desejava (embora tivessem avisado-me que só trariam uma unidade eu não podia correr risco deles voltarem sem nada nas mãos) e, admito, minha primeira opção era o Slayer, que acabara de lançar o estupendamente crucial Show No Mercy! O que importa era que, na volta dos meus pais, eu estava na sala com meu som 3-em-1 Gradiente sofrendo para expulsar pelas caixas os musicalmente improváveis, e até então nunca feitos, riffs da nova escola alemã do Metal. Eu era testemunha de um estilo a nascer. E tinha consciência disto! Eu desejei aquilo para mim. Eu desejei aquela vida. Eu tive inveja!

(Mike/guitarra - Tommy/bateria – Schmier/baixo & vocal)
O Destruction manteve a alta qualidade de seu material até o vinil Mad Butcher de 1987, mudando de formação (época fundo-do-poço, com a saída de Schmier) e levando a cabo um magistral comeback com All Hell Breaks Loose (2000), algo que considero raríssimo no Heavy Metal.
Assisti-os em 2002, em Recife(PE), no Clube Internacional. Foi o melhor show que vi em mais de 20 anos como headbanger. Foi também uma das maiores tristezas da minha vida (na sessão de autógrafos, pela manhã, antes de tocarem. Mas isso é pano para as mangas de outra resenha!).
Hoje, vive de “renda”, de um passado glorioso, ainda lançando um escutável Thrash Metal, envelhecendo da maneira correta, como um dos sólidos pilares do gênero.
*Bruno Bruce renegou o batismo cristão dos seus pais nos primeiros minutos da música Deathrider (Anthrax) gravada numa fita-cassete por um roqueiro natalense. Como headbanger viu modas musicais surgirem e morrerem como moscas num verão.
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3 Comentários »



julho 22, 2009 em 9:56 PM
Gostaria de perguntar se você nunca teve infância!? Pro seu governo o Super man usa cuecas por cima das calças porque ele fez uma aposta com Tchuck Norris e quem perdesse usaria para sempre dessa maneira. Eu não gostei dessa sua coluna e juro não mais ler esta bosta. Com certeza você se encantou com metal porque passou a infância e adolescência ouvindo músicas da Xuxa e quando ouviu o primeiro riff se abestalhou com isso. Se ao invés disso tivesse ouvido Leandro e Leonardo, hoje você era um vaqueiro. Como se atreve a chamar a galeria do Rock de “conglomerado imundo” e a cidade de “cidade de malditos”? Mas como infelizmente qualquer um escreve qualquer bosta e faz sucesso esta coluna continuará on line por muito tempo, fazer o que?
julho 26, 2009 em 9:43 PM
O Destruction é de uma época onde todos os lançamentos que nos chegavam eram de bandas que pareciam absolutamnente diferentes e quase todas eram magníficas: Metallica (até o Black Album, preto não por causa do White Album dos Beatles, mas porque era seu enterro…), Slayer, Exodus, Megadeth, Anthrax, Whiplash e outros que, por sua vez, eram totalmente diferentes, ainda que dos mesmos estilos dos, totalmente diferentes entre sí, europeus do Destruction, Kreator, Celtic Frost, Sodom e etc. O Destruction é bombástico, porque é absolutamente inconfundível devido principalmente às suas agudas e distorcidíssimas linhas de guitarra. O visual oitentista de cangaceiro alemão era ainda mais extremo que os spikes contemporâneos do Slayer (Show No Mercy e Hell Awaits) ou os parangolés urbanos/indígenas do Anthrax.
agosto 16, 2010 em 1:29 PM
Essas foram as fitas que na metade dos anos 80 (ainda não tinha sido lançado no Brasil em vinil), davam o toque especial ao meu dia dia:
- Destruction – Sentence of Death
- Sodom – In the Sign of Evil
- Kreator – Endless Pain
Bons tempos que não voltam mais…